sexta-feira, 28 de abril de 2017

Conheça a falsa banana ensete, alimento típico na Etiópia

Um tukul, a cabana tradicional etíope, com uma plantação de ensete na estrada para Boricha, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)
Um tukul, a cabana tradicional etíope, com uma plantação de ensete na estrada para Boricha, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)

http://epoca.globo.com
Quem olha para essa planta de aparência tropical, com caule suculento e folhas largas verdes e brilhantes, pensa que se trata de uma bananeira comum, apenas sem os cachos da fruta paradisíaca. Ainda que pertença à mesma família musácea de nossa banana comestível, a ensete (Ensete ventricosum) é muito mais que uma simples herbácea. Nativa da Etiópia, a falsa banana ou banana-da-abissínia oferece uma fibra muito usada pela população do sul do país – até mesmo para construir casas –, possui propriedades medicinais e é a base da alimentação de quase 10 milhões de pessoas que vivem na região.
Em 1640, o padre português Jerônimo Lobo viajava pela antiga Abissínia e descreveu a ensete como “uma árvore peculiar do país” que, quando preparada para comer, “lembrava o nabo.” A planta passou a ser chamada “árvore dos pobres”, embora fosse consumida também pelos ricos. Seu outro nome é “árvore contra a fome”, já que todos aqueles que plantavam a espécie não corriam o risco de não ter o que comer. Com uma ensete no quintal, sempre há alimento.
Vimos plantações de ensete pela primeira vez em uma comunidade Dorze, na Região das Nações e Nacionalidades dos Povos do Sul da Etiópia (RNNPS) que, como o nome sugere, abriga mais de 50 diferentes etnias concentradas no vale do Rio Omo, perto das fronteiras do Quênia e do Sudão do Sul. Essas tribos, como Mursi, Hammer, Karo, Tsemay ou Arbore, representam alguns dos últimos exemplos de povos nativos africanos que ainda vivem com pouca influência ocidental e mantém seus costumes e tradições.
A etnia Dorze vive nas montanhas, a 3.000 metros de altitude, a algumas dezenas de quilômetros de Arba Minch. A principal característica da comunidade são suas casas construídas a partir de bambu e “folhas de bananeira”, ou o que pensávamos ser uma bananeira. Chegando a atingir 10 metros de altura, apesar da aparência frágil, as cabanas podem durar até meio século.
A etnia Dorze habita as montanhas e usa as folhas secas de ensete para construir suas casas (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)
As cabanas do povo Dorze podem atingir 10 metros de altura e são sempre rodeadas com plantas de ensete (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)






































Além de abrigar a (extensa) família etíope, a casa feita com folhas de banana tem espaço suficiente para acolher animais domésticos da família, como bezerros, cabras e bodes. Não há problema em conviver com os animais, pois, segundo o povo Dorze, estes ajudam a manter o calor no interior das casas. Vistas à distância, as cabaninhas parecem uma família de elefantes, tanto pela cor acinzentada como pela forma ondulada.
Mas foi apenas um ano mais tarde, durante uma pesquisa de campo com o povo Sidama, também na RNNPS, que fomos compreender a importância dessa planta para a segurança alimentar e nutricional da Etiópia. Embora pareça paradoxal, a Etiópia é um país rico em biodiversidade com grande diversidade genética de culturas como cevada, milhete, sorgo, gergelim, moringa ou linhaça, além de possuir espécies nativas como o tef e a ensete. Relatos de exploradores do século 16 dão detalhes da riqueza do país e da beleza das montanhas cobertas por uma, então, vegetação exuberante. 
No entanto, de acordo com o World Resource Institute, atualmente apenas 4% da vegetação nativa restou no país. Um dos motivos desse verdadeiro colapso foram os séculos de governos autoritários e exploratórios que obrigaram os agricultores a entregarem parte de suas produções e a pagar taxas abusivas à aristocracia da época. Essas medidas forçaram a população a viver em situação de pobreza extrema na qual as únicas alternativas eram avançar com a agricultura sobre as terras virgens e cortar a madeira das florestas para serem processadas e vendidas como carvão.
O livro publicado pelas universidades da Flórida e de Hawassa Ensete: The tree against hunger mostra que, no passado, a falsa banana espalhava-se por todo o território etíope, mas hoje é encontrada apenas na RNNPS e em alguns lugares ao redor do Lago Tana, nas montanhas Simien e no sul da Eritreia.
Cena típica rural etíope, com a sempre presente plantação de ensete ao fundo  (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)



















Variedades selvagens da ensete também podem ser encontradas na Ásia, em alguns países da África Subsaariana e em Madagascar. No entanto, apenas na Etiópia a planta foi domesticada em uma escala maior. Alguns historiadores e antropólogos acreditam que esse processo pode ter começado há cerca de 10 mil anos.
Durante a fome que atingiu o país em 1983 e 1984, as comunidades que cultivavam ensete em suas roças conseguiram superar com menos dificuldades os terríveis meses de seca. A planta é capaz de resistir a períodos de estiagem. Ao mesmo tempo, quando a chuva cai com violência, sua vasta folhagem ajuda a proteger o solo das enxurradas, evitando a perda de nutrientes e a consequente erosão.
Nos arredores de Hawassa, a capital da RNNPS, o cenário rural é composto pelos tradicionais tukuls, cabanas circulares de palha, nas quais a eletricidade ainda não chegou. Na região, todo tukul está sempre rodeado por uma plantação de falsa banana. Foi lá que aprendi a importância do kocho, alimento parecido a um pão produzido a partir da ensete e principal componente da dieta da região. “Comemos kocho de manhã, na hora do almoço e no jantar. Não podemos viver sem ensete”, diz Mikael Babe, agricultor de Boricha.
Mikael Babe em sua plantação de ensete. Ele come kocho três vezes ao dia e todos os dias ao ano  (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)


Para preparar o kocho é preciso extrair a polpa do pseudocaule não lenhoso da falsa banana e enterrar a massa por cerca de 12 a 15 dias para que um processo de fermentação aconteça. Após esse período, o produto é retirado do buraco cavado no solo, hidratado, amassado e assado dentro de uma folha da própria ensete. O ritual vem se repetindo por muitas gerações.
Jovem retira a polpa da falsa-banana de seu pseudocaule com ajuda de um pente artesanal que separa o futuro alimento da fibra (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)
Depois de fermentada por 12 a 15 dias, a massa do kocho é hidratada e amassada como um pão (Foto: Giselle Paulino/ÉPOCA)
Depois do kocho tomar a forma de um pão achatado, ele é assado sobre uma placa quente, dentro de uma folha de ensete (Foto: Haroldo Castro/ÉPOCA)



























































Toda a produção de ensete é destinada ao consumo próprio local. Quando uma família está sem a planta, basta recorrer ao vizinho e pedir emprestado alguns caules ou até mesmo encontrá-la na feira local. Nessas regiões onde os agricultores vivem exclusivamente do que produzem, plantar os alimentos básicos é uma prioridade, principalmente quando se trata de áreas vulneráveis a períodos de seca e riscos de situações de fome, como é o caso da Etiópia e de outros países da África Subsaariana.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a ensete produz mais alimento do que a maioria dos cereais. Estima-se que uma plantação com 50 pés de falsa banana, ocupando apenas cerca de 300 metros quadrados, possa alimentar diariamente uma família de cinco a seis pessoas. Um simples pé de ensete rende, durante seu ciclo, cerca de 40 quilos de kocho.
Outro benefício da planta é que os campos de ensete são adubados por compostos orgânicos feitos a partir dos excrementos de animais domésticos. Esse procedimento contribui com a fertilidade do solo e ajuda a aumentar a capacidade da terra em absorver a água da chuva. Como o cultivo de ensete acaba melhorando a qualidade do solo, sua produção tem sido contínua por séculos a fio.
Para nós ocidentais, não acostumados com comidas fermentadas, o kocho pode parecer pesado e de gosto estranho. Mas na zona rural de Hawassa, a polpa da ensete está presente todos os dias nos pratos dos camponeses.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Carta da Sociedade Bíblica do Egito sobre atentados


http://www.ultimato.com.br

A Sociedade Bíblica do Egito divulgou uma carta em resposta aos dois atentados com bombas, que deixaram 46 mortos e uma centena de feridos no último domingo (09/04). Os dois ataques aconteceram em duas igrejas cristãs coptas, nas cidades de Alexandria e Tanta, quando estava sendo celebrada a missa de Domingo de Ramos.

A autoria das duas explosões foi assumida pelo grupo terrorista Estado Islâmico, que também se responsabilizou pela explosão que causou 29 mortes em dezembro de 2016, na catedral copta de São Marcos, no Cairo. Mês passado, cerca de 400 cristãos coptas deixaram suas casas na Península do Sinai por causa de ameaças de jihadistas ligados ao ISIS. Os coptas representam cerca de 10% da população egípcia é a minoria cristã mais antiga e mais numerosa do Oriente Médio.

A carta da Sociedade Bíblica do Egito diz que “o que está acontecendo no Egito não é uma lenda de 2000 anos atrás, mas um testemunho atual, vivo, do poder da fé cristã”. 

Leia a seguir a carta na íntegra:

*****
Não é apenas uma lenda

Caros amigos,

Agradecemos a todos que expressaram preocupação e orações, seguindo os bombardeios trágicos nas igrejas de Tanta e de Alexandria.

Domingo de Ramos é um dos dias mais festivos no calendário da nossa igreja. Cristãos egípcios carregam ramos de palmeiras com trançados artísticos. Eles cantam: Hosana ao Rei dos Reis! É um dia de celebração cheio de alegria. 

Aí a primeira bomba explodiu.

Imediatamente muitos cantores que participavam na liturgia mudaram suas vestes terrenas agora cheias de sangue por vestes de mártires, lavadas no sangue do cordeiro. (Ap 7.11). Poucas horas depois uma segunda bomba explodiu em Alexandria, onde um homem bomba suicida detonou seu explosivo do lado de fora da igreja São Marcos. Ao todo morreram 46 pessoas, deixando a celebração pela fé para celebrar por vista, encontrando seu Salvador face a face. Muitos outros ficaram feridos 

Os funerais eram uma mistura de lamentações e alegria, como um bispo explicou:

“É verdade, nós amamos o martírio. Mas também amamos a vida. Não odiamos a vida terrena. Deus nos criou na terra para viver, não para morrer. O fato que aceitamos a morte não significa que nosso sangue é barato, e não significa que não nos importamos. Não cometemos suicídio. Mas damos testemunho de Jesus, quer por meio de nossas vidas ou pela nossa transição para o céu. Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor.” 

A mídia está perplexa. Em muitas ocasiões, muçulmanos que ficaram irados com esse ódio cego e mau, expresso nessa atrocidade, ficam frustrados com os cristãos e sua conversa sobre amor e perdão. Assim como em ataques anteriores, o sentido de vingança é mínimo, enquanto famílias aceitam o martírio como um dom de Deus. 
Clique aqui para verificar o espanto de um entrevistador muçulmano com a atitude da viúva do porteiro que impediu o suicida de entrar na igreja em Alexandria, assim salvando muitas vidas. O que está acontecendo no Egito não é uma lenda de 2000 anos atrás, mas um testemunho atual, vivo, do poder da fé cristã.

Por favor, orem pela igreja dos Mártires enquanto ela procura aplicar fielmente os ensinos e o exemplo de Jesus para perdoar e continuar firmes. Orem por paciência em meio ao sofrimento e luto. Orem por vitória sobre a amargura e a ira. Orem pela nossa igreja e pelos líderes do governo;

E quando estiverem celebrando nesse fim de semana, que possam ser inspirados pelo testemunho de muitos cristãos egípcios cuja fé expressa o verdadeiro sentido da Páscoa.

Sinceramente em Cristo,

Ramez Atallah
Diretor Geral
Sociedade Bíblica do Egito

Tradução: Tonica van der Meer

terça-feira, 4 de abril de 2017

Conheça o Teff, o cereal que é a base da alimentação na Etiópia

Direito de imagemTHINKSTOCK
Image captionA colheita do teff na Etiópia: grão comumente consumido no país virou moda em países ocidentais
http://www.bbc.com/portuguese
Em uma fazenda no interior da Etiópia, sob o céu azul, um jovem agricultor encoraja bois a pisotear palha de cereais no chão, para ajudar a separar as sementes.
Essa cena se repete em toda a zona rural do país. Dessas plantas sai a semente de um grão chamado teff, consumido no país africano há centenas de anos, mas agora exaltado na Europa e na América do Norte como um "supergrão" - assim como a quinoa.
Rico em proteínas e cálcio, além de livre de glúten, o teff tem crescido em popularidade internacionalmente.
No entanto, como o grão é parte fundamental da dieta etíope - comumente transformado em um pão achatado acinzentado chamado injera -, o país proíbe a exportação do teff, seja ele em sua forma mais crua ou depois de ser transformado em farinha.
Direito de imagemBBC WORLD SERVICE
Image captionRico em proteínas e cálcio, além de livre de glúten, o teff tem crescido em popularidade internacionalmente
Por isso, empresas etíopes só podem, por enquanto, exportar o pão injera e outros derivados do teff, como bolos e biscoitos.
A expectativa dos empresários, porém, é de que a Etiópia consiga aumentar significativamente sua colheita de teff, para que o grão possa ser exportado em um futuro não muito distante.
"Começamos do zero e agora estamos levando nossa comida tradicional a todo o mundo", diz Hailu Tessema, fundador da Mama Fresh, primeiro produtor de injera em grande escala na Etiópia.

Demanda crescente

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Image captionA farinha de teff é misturada com água dentro de barris, onde fermenta por quatro dias
Direito de imagemBBC WORLD SERVICE
Image captionGrão é transformado em pão achatado acinzentado chamado 'injera'
Seis dias por semana, a Mama Fresh usa voos da Ethiopian Airlines para levar 3 mil pães da capital, Adis Abeba, a Washington, nos EUA, onde vivem vários imigrantes etíopes.
O injera também é transportado à Suécia três vezes por semana, à Noruega duas vezes por semana, e à Alemanha três vezes ao mês.
"A demanda tem aumentado cerca de 10% por mês", diz Tessema, 60, que não se incomoda com o veto à exportação de sementes de teff.
"É melhor exportar produtos com valor agregado, porque isso cria mais empregos."
A Mama Fresh emprega mais de cem pessoas e pretende contratar mais 50 neste ano. Sua matéria-prima vem de 300 produtores.
Tessema começou seu negócio em 2003, com 100 mil birrs etíopes (cerca de R$ 15 mil) e um barraco.
Hoje, sua receita anual é de cerca de 17 milhões de birrs (R$ 2,5 milhões), e no ano passado a empresa inaugurou uma nova fábrica.
Ali dentro, a farinha de teff é misturada com água dentro de barris, onde fermenta por quatro dias, para depois serem usados na produção do injera.
No exterior, o pão já tem consumidores cativos, muitos deles expatriados etíopes.
Pequeno grão do tamanho de uma semente de papoula, o teff também pode ser processado na forma de farinha e usado para produzir pães no estilo ocidental ou mesmo massas. Em Londres, a empresa Tobia Teff usa teff produzido nos EUA para fazer pães e mingau.
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Image captionEm Londres, empresa Tobia Teff usa teff produzido nos EUA para fazer pães e mingau
O negócio foi fundado pela etíope-britânica Sophie Sirak-Kebede, 58, que comandava também um restaurante na capital britânica, mas decidiu dedicar-se apenas ao teff.
"As pessoas têm sonhado com teff ultimamente", diz ela. "Depois de milhares de anos (de existência), ele virou moda por aqui."
Suas vendas aumentaram 40% nos últimos 14 meses.
Até mesmo o Serviço de Saúde Britânico (NHS na sigla ingesa, equivalente ao SUS no Brasil) passou a servir o teff para pacientes com intolerância a glúten.

Produtividade

No entanto, apesar de suas elogiadas propriedades nutricionais, o teff tem um problema produtivo: "Ele não dá muito rendimento. Houve pouco investimento e pesquisa nas colheitas", diz Zerihun Tadele, pesquisador etíope da Universidade de Berna, na Suíça.
A produtividade média de teff na Etiópia é de 1,4 tonelada por hectare, menos da metade da média global de 3,2 toneladas para variedades modernas de trigo.
Tadele espera que, por meio de pesquisas e métodos agrícolas mais eficientes, seja possível elevar a plantação para 5 toneladas por hectare.
Esse avanço já virá tarde: as recentes colheitas de teff não têm conseguido acompanhar a população crescente da Etiópia, fazendo com que os preços subam acima do que muitos conseguem pagar, sobretudo os que moram longe de Adis Abeba.
Sirak-Kebede, da Tobia Teff, diz que a situação cria um dilema porque "o teff é a espinha dorsal (da dieta) da Etiópia".
Direito de imagemBBC WORLD SERVICE
Image captionEtiópia proíbe exportação do teff, seja ele em sua forma mais crua ou depois de ser transformado em farinha
"A escassez do teff seria como pedir aos etíopes que parassem de respirar", diz ela.
Ao mesmo tempo, porém, a empresária nota que o governo da Etiópia não deveria desperdiçar a oportunidade de exportar o produto, o que beneficiaria mais de 6 milhões de agricultores no país e gerar divisas.
A Agência de Transformação Agrícola, órgão governamental, está focada em aumentar a produção do grão para ao menos atender a demanda interna. Depois disso, talvez seja possível exportar sementes e farinha.
"A oportunidade para o país é significativa e o benefício de longo prazo supera os riscos", diz Matthew Davis, sócio do fundo de investimentos americano Renew Strategies, que investe na Mama Fresh.
"O governo provavelmente vai proceder com cautela, concedendo licenças apenas para exportadores selecionados."
Certamente o governo etíope acompanha com nervosismo o exemplo da quinoa, que se tornou tão popular globalmente que se tornou caro demais para muitas pessoas na Bolívia e no Peru - origem do grão.
Se a exportação de teff da Etiópia acabar sendo autorizada, Sirak-Kebede diz que comprará terras no país para produzir o grão e suprir com ele sua empresa britânica.
"Sendo de origem etíope, preferiria comprar o teff da Etiópia", diz ela. "A qualidade é incomparável."

sábado, 25 de março de 2017

Entenda a crise na conturbada Somália


Entenda a crise na Somália

BBC
Combatente das milícias islâmicas na Somália
Milícias islâmicas contam com apoio da população em Mogadíscio
A guerra na Somália se intensificou com o envolvimento de forças militares etíopes no conflito entre o governo interino somali e a milícia islâmica que controla boa parte do país.
Forças etíopes e do governo tomaram várias cidade que estavam sob controle da União das Cortes Islâmicas (UCI) e avançam em direção à capital, Mogadíscio.
As últimas informações eram de que as milícias estavam se retirando de suas posições.
O número de mortos ainda é incerto. Ambos os lados afirmam que mataram vários oponentes. A ONU está preocupada com a precária situação dos milhares de refugiados deixados pelo conflito.
Entenda melhor o conflito na Somália e os interesses em jogo.

Quem, afinal, governa a Somália?
É um governo interino - liderado pelo presidente Abdullahi Yusuf e reconhecido pela comunidade internacional - tido como fraco e cada vez mais impotente para lidar com as milícias das União das Cortes Islâmicas (UCI).
O ministro da Defesa teve que fugir com suas tropas quando as UCI avançaram sobre o porto de Kismayo, até então controlado pelo governo.
O governo, cuja sede fica em Baidoa, pediu ajuda internacional. O Conselho de Segurança da ONU aprovou planos de enviar uma força de paz africana para apoiar o governo.
O apoio mais consistente ao governo vem da Etiópia, que iniciou uma incursão militar direta na Somália contra alvos da milícia islâmica.

O que é a União das Cortes Islâmicas?
Trata-se de uma rede formada por 11 tribunais islâmicos criados na capital somali, Mogadíscio, financiados por comerciantes e empresários preocupados com a crescente anarquia na cidade.
O objetivo da UCI é restaurar e impor a Sharia, lei islâmica, e por fim à impunidade e a criminalidade na região. Moradores locais disseram que a atividade criminosa foi reduzida na cidade graças às milícias.
Mas há temores de que o objetivo real das milícias seria o de transformar a Somália num Estado islâmico.
Os Estados Unidos temem que a UCI esteja dando refúgio a militantes da Al-Qaeda, e acredita-se que Washington esteja apoiando a aliança de líderes tribais formada em Mogadíscio para combater a milícia.

Quem apóia a União das Cortes Islâmicas ?
A milícia tem ficado cada vez mais popular entre os residentes da capital somali, mas não se sabe ao certo de onde vêm as armas e o financiamento de sua campanha militar.
Um relatório da ONU disse que as Cortes estavam sendo providas de armas pela Eritréia, e que o governo interino somali estava sendo armado pela Etiópia.
Houve quem dissesse que a UCI estaria sendo financiada pela Arábia Saudita.

Quais são as supostas ligações com a Al-Qaeda?
A UCI nega qualquer ligação com a Al-Qaeda. Mas diplomatas acreditam que pequenos grupos de militantes, entre eles estrangeiros, estariam operando no país.
Houve pelo menos quatro ataques contra alvos dos Estados Unidos ou Israel em países do leste africano, todos eles ligados à Somália.

Qual é o papel da Etiópia no conflito?
A Etiópia estava preocupada com o avanço da milícia islâmica na Somália, que considera uma ameaça, e, por isso, resolveu intervir com uma ação militar no país vizinho.
O Exército etíope enviou tanques e artilharia pesada ao país, e jatos da força aérea etíope bombardearam alvos da milícia islâmica.
O exército da Etiópia é um dos maiores e mais bem-equipados da África, com mais de cem mil soldados treinados.
O primeiro-ministro etíope, Meles Zeawi, disse querer uma guerra "rápida e vitoriosa".
Vários grupos rebeldes tinham prometido resistir ao avanço etíope - o que parece não ter se concretizado.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Brasil: Número de povos indígenas em cada família linguística

Número de povos indígenas em cada família linguística

(Passe o cursor sobre os quadrados para visualizar os números. Clique nos círculos para visualizar mais partes do gráfico)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Mapa mostra as línguas faladas no mundo e permite que você ouça os sotaques regionais



Qualquer um que já viajou de uma região a outra do Brasil, e, em alguns casos, mesmo de uma cidade a outra, sabe que há diferenças marcantes no vocabulário utilizado e mesmo no jeito como as palavras são pronunciadas.
Essas diferenças territoriais na forma como se fala são suficientes para constituir dialetos. No Brasil, por exemplo, há o dialeto recifense, falado na região metropolitana do Recife; o dialeto caipira, falado em partes de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Paraná; e o cearense.
Para quem não conhece uma língua, compreender e se acostumar com essas diferentes formas de falar pode ser tão difícil quanto aprender uma nova gramática. Foi a partir desse problema que David Ding, ex-engenheiro de softwares da Microsoft, criou o Localingual, um mapa interativo on-line no qual é possível ouvir trechos de falas de pessoas de diversas regiões do globo.
Clique aqui e veja o mapa interativo.
Com ele é possível ouvir não só as diferenças entre o português de um gaúcho e de um paraibano, mas também entre um falante de francês de Paris ou de Québec, no Canadá, por exemplo.
O site mostra um mapa-múndi com todos os países. Conforme se dá um zoom na imagem, as divisões administrativas internas — Estados, no caso do Brasil —, assim como algumas das principais cidades, são destacadas. Ao clicar nelas é possível ouvir o som de vozes locais.
O site foi ao ar no dia 8 de janeiro de 2017, e as gravações são enviadas por voluntários. Por isso, mesmo com mais de 18 mil diferentes gravações, ainda há diversos locais com poucos ou nenhum exemplo de falas.
Segundo o criador do Localingual, o objetivo é fazer com que o site, que é mantido à base de doações, se transforme em uma “Wikipédia das línguas e dialetos”, que poderia ser consultada por qualquer interessado em aprender a pronunciar as palavras de acordo com a região do globo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Fotógrafo faz registro raro de tribo isolada em floresta no Acre; veja imagens

O céu escureceu e uma forte chuva obrigou o helicóptero que sobrevoava uma floresta no Acre a pousar. O temporal demorou para passar e a tripulação decidiu voltar ao ponto de partida antes de escurecer.
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Foto: Ricardo Stuckert
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Foto: Ricardo Stuckert
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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert

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Foto: Ricardo Stuckert
A chuva frustrou a viagem, mas proporcionou um registro raro e histórico de uma tribo indígena isolada, próximo à fronteira com o Peru. "É como achar uma agulha no palheiro. Pura sorte", definiu o fotógrafo Ricardo Stuckert.

A BBC Brasil teve acesso a parte dos registros feitos por Stuckert no último domingo. Ele viajava para a aldeia Caxinauá (também no Acre), onde faria uma sessão de fotos para o livro Índios Brasileiros . A obra vai documentar a rotina de 12 tribos brasileiras e será lançada no dia 19 de abril de 2017 - Dia do Índio.
Mas ele estava acompanhado do experiente sertanista José Carlos Meirelles, que trabalhou para a Fundação Nacional do Índio (Funai) durante 40 anos, e a dupla resolveu investigar uma área da mata com mais calma.
"Depois da chuva, a gente voltou e viu umas malocas feitas de palha. A gente estava voando muito rápido, mas vimos plantações e decidimos voltar. Encontramos a tribo e eu comecei a fotografar", relata o fotógrafo.
Ao identificar uma possível ameaça, os índios reagiram. Os olhares de surpresa e raiva contra o helicóptero foram registrados pelas poderosas lentes de longo alcance de Stuckert. A tribo atirou dezenas de flechas na tentativa de afastar a aeronave, que sobrevoou a região durante sete minutos.
O próprio Meirelles avalia o voo como algo invasivo à comunidade isolada. "É um registro importante, mas é uma certa agressão. Por isso, a gente toma o cuidado de não voar baixo para não assustar tanto. Por outro lado, o mundo precisa saber que eles existem e que precisamos de políticas para conservá-los", disse Meirelles, que demarcou áreas de tribos isoladas durante os 20 anos que trabalhou na região.
Ele estima que a tribo, identificada apenas como "Índios do Maitá", por estar próxima ao rio de mesmo nome, é composta por cerca de 300 pessoas. O número, segundo ele, é bem grande para uma aldeia isolada.

Algodão

Segundo o sertanista, não há nenhum relato ou documento de aproximação dessa tribo com povos civilizados e até mesmo outros grupos.
Após o sobrevoo e uma primeira análise das fotos de Stuckert, José Carlos Meirelles identificou detalhes que revelam alguns costumes dos índios isolados.
"As mulheres usam uma saiota e eles têm plantações de algodão. São sinais de um povo que tece e fia. Parte deles também possui um cabelo incomum: careca até a metade da cabeça e comprido da metade para trás", relatou.
O sertanista afirmou que os índios são mais altos que a média e os homens amarram o pênis a uma espécie de cinta. O especialista também identificou que a tribo planta milho, banana, mandioca e batata.
O grupo fotografado vive numa área de 630 mil hectares onde estão três reservas indígenas: Kampa Isolados do Envira, Alto Tarauacá e Riozinho do Alto Envira. O sertanista disse que, apesar do completo isolamento, a localização aproximada da tribo já era conhecida.
Nas fotos, não foram identificados objetos ou características que possam ter sido influenciadas ou levadas a eles por outros povos.
Um dos fatores apontados pelos especialistas para a sobrevivência da tribo é o fato dela estar localizada numa região de difícil acesso de madeireiros, garimpeiros e seringueiros.

Emocionante

Stuckert, que trabalhou como fotógrafo da Presidência da República durante oito anos e tem 28 anos de experiência na profissão, disse que o registro dos índios está entre "os mais emocionantes" de sua carreira.
"Eu gostaria de voltar lá, mas acho que a gente não pode ter contato. Precisamos preservar isso e quero que as minhas fotos mostrem que a gente tem que mapear tudo o que está perto e protegê-los para que não tenham problemas externos", afirmou.
O fotógrafo disse ter ficado "maravilhado" por registrar pela primeira vez na sua carreira uma população que nunca teve contato com uma população isolada.
O sertanista José Carlos Meirelles também demonstra felicidade por ter visto os índios isolados, mas se disse preocupado com o possível avanço do desmatamento e de seringueiros.
"Fiquei muito feliz em saber que estão bem. Foi muito bom ver que eles têm um roçado e estão no seu espaço. O problema é que ninguém sabe até quando."
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