sábado, 30 de julho de 2016

Aplicativo simplifica quais países exigem visto para brasileiros

Foto: divulgação
Foto: divulgação
Toda vez é aquela mesma história. Você quer ir para um país, mas não sabe se eles pedem visto, então começa por uma verdadeira jornada na internet em busca de informações, muitas vezes confusas. Esse problema parece que chegou ao fim.
Um site reúne de maneira super simples quais são os países que requerem visto para sua nacionalidade. 

 É o VisaMapper.

O site ainda informa qual o tipo de visto que certo país exige, se é um visto na chegada, apenas online, etc. Tanto você que quer cair no mundão quanto você que está planejando suas férias, ta aí uma dica de ouro!

domingo, 24 de julho de 2016

Suicídio indígena: entenda como povos e antropólogos da Amazônia avaliam o ato

Foto: Divulgação/Gcom-MT

MANAUS – O suicídio indígena vai além das estatísticas divulgadas pelos órgãos de Segurança Pública na Amazônia. A atitude é complexa e envolve questões sociais, culturais e cosmologias que vão além do conhecimento da sociedade. Segundo antropólogos, para alguns povos indígenas, a morte não encerra a existência humana. Entre as causas para o suicídio indígena estão paixões, encantamentos e rupturas culturais sob um contexto de perda de território e direitos.
“Temos debates para mostrar a complexidade e a dimensão profunda de todo o aspecto que envolve [o suicídio indígena] e que está situada em cosmologias indígenas pouco conhecidas, por isso a tendência é projetar o nosso drama do suicídio para estas sociedades”, explica o antropólogo Gilton Mendes, coordenador da mesa-redonda sobre “Suicídio entre os Povos Indígenas” promovida pelo Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (Neai) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), nesta quarta-feira (29).
Mesa-redonda promovida pelo Neai. Foto: Izabel Santos/Portal Amazônia

Na opinião de Mendes, trata-se de um fenômeno complexo que preocupa, de modo geral, pelas concepções da sociedade não-indígena. “Mas outras sociedades também têm esse fenômeno de forma bastante diversa”, acrescenta.
Ataque de espíritos e paixões
A tese de doutorado da antropóloga da Universidade Federal do Pará (UFPA), Beatriz Matos, abordou o suicídio por ataques de espíritos entre os matsés. O povo vive na terra indígena do Vale do Javari, a maior do Brasil e com maior concentração de povos isolados.
Entre as razões apontadas pela pesquisa, está a impossibilidade de realização de um importante ritual de iniciação masculina. “Nesse ritual, que começava na aldeia, os espíritos levavam os jovens para a floresta onde ele era completado. Com a chegada dos missionários, a prática foi interrompida”, conta. Homens e mulheres participavam do ritual, mas o protagonismo era masculino. De acordo com relatos dos matsés, a tradição foi interrompida na década de 1970. “Com isso, os espíritos começaram a atacar os jovens e a provocar o que nossa sociedade chama de suicídio”, explica.
Os jovens ‘atacados’ relatam que tinham a visão do espírito de um parente já falecido, que aparecia quando eles estavam sozinhos e os levava para a floresta. “Quem viu, relata que no momento desses ataques os jovens corriam mata a dentro”. Alguns eram resgatados, mas outros não tinham o mesmo destino.
Na avaliação da antropóloga do Museu Nacional, Luisa Belaúnde, os suicídios também são homicídios provocados por espíritos, mas também um problema de saúde pública. Luisa cita o aspecto das paixões ou encantamentos que levam os indígenas à atitude. “As causas podem ser o alcoolismo, a presença de missionários e a desintegração familiar, mas isso tudo acontece em um pano de fundo de perda de território e direitos”, diz.
“É realmente um problema de saúde pública, mas talvez a aproximação a partir da saúde pública, que procura as causas, e que tenta formular políticas de prevenção, não esteja suficientemente aberta para compreender as razões histórias e políticas do sofrimento ao qual muitos povos indígenas estão atualmente submetidos”, opina.
Como exemplo sobre os encantamentos, a antropóloga cita os kaxinauá, que habitam a fronteira entre o Peru e o Brasil, no Acre. Segundo relatos, os caçadores desse povo estão sujeitos a um encantamento pelo olfato. “Quando eles estão na floresta eles sentem um cheiro semelhante ao de um animal, então eles se encantam, ficam apaixonados por esse cheiro. Voltam para a aldeia e ficam com o olhar perdido, deixam de reconhecer os seus parentes e passam a comer terra. Por fim, acabam se matando”.
Luisa também cita as meninas tikuna, que vivem na fronteira entre Peru, Equador e Colômbia. E compara a situação a dos matsés no Javari, onde a prática tem a ver com a quebra da tradição do ritual da menina nova, que marca a transição da infância para a vida adulta. “Nesse ritual a menina fica sentada por várias horas, tem os cabelos arrancados e fica ouvindo os conselhos dos mais velhos, mas ele não é só isso. Durante o ritual ela aprende a ter paciência, a resistir a dor e a não se deixar enganar pelos espíritos, que também participam do ritual e tentam enganá-la”, explica a antropóloga. Sem o ritual, a menina tikuna não aprende a se defender e se deixa enganar pelas pessoas erradas.
“Ele [o suicídio] é mais comum entre as meninas que frequentam a escola, conhecem rapazes por quem não deveriam se apaixonar e acabam se desiludindo”, explica. “Por isso é um homicídio espiritual. É como se os espíritos ficassem com raiva e levassem a essa atitude”, explica. A maioria dos suicídios acontecem por enforcamento. As meninas que sobrevivem, alegam que não estavam atentando contra a própria vida, dizem que foram induzidas, que viram parentes já mortos e que pediam que elas cometessem o ato.
Os suruwaha e o timbó
Os suruwaha vivem na calha do rio Juruá, no Amazonas. São um grupo único com cerca de 150 pessoas praticamente isoladas. O único contato que têm é com funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). No entanto, a maioria das mortes entre este povo decorre de suicídio por envenenamento com timbó, uma raiz usada para envenenar a água e matar peixes. “Existem mortes por doenças e incidentes com animais, mas são poucas”, explica o antropólogo Miguel Aparicio, autor da obra ‘Presas del Veneno. Cosmopolítica y Transformaciones Suruwaha’.
O antropólogo descreve os indígenas como um povo coeso e de boa memória. “Se você perguntar, eles são capazes de descrever o tataravô da terceira geração e com quem era casado e tudo mais”, revela. Entre estas memórias, está o primeiro suicídio, ocorrido em 1930.
As razões para a atitude não são claras. Os primeiros contatos com os suruwaha datam de 1920. “Eles sofreram com as expedições de seringalistas e conseguiram voltar ao isolamento em 1930. Somente em 1980 eles voltaram a ser contatados, e por causa da pressão madereira na região”, explica Aparicio. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil

Pesquisa inédita do IBGE detalhou características de povos indígenas brasileiros.

BBC Brasil
Há mais indígenas em São Paulo do que no Pará ou no Maranhão. O número de indígenas que moram em áreas urbanas brasileiras está diminuindo, mas crescendo em aldeias e no campo. O percentual de índios que falam uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas do que entre os que vivem em cidades.
As conclusões integram o mais detalhado estudo já feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os povos indígenas brasileiros, baseado no Censo de 2010 e lançado nesta semana.
Segundo o instituto, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta. Em comparação, em todo o continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones, segundo um estudo publicado em 2011 pelo Instituto de História Europeia.
No "Caderno Temático: Populações Indígenas", o IBGE faz um mapeamento inédito sobre a localização desses povos e sua movimentação ao longo das últimas décadas.
O estudo diz que, entre 2000 e 2010, os percentuais de indígenas brasileiros que vivem nas regiões Sul e Sudeste caíram, enquanto cresceram nas outras regiões. A região Norte abriga a maior parcela de índios brasileiros (37,4%), seguida pelo Nordeste (25,5%), Centro-Oeste (16%), Sudeste (12%) e Sul (9,2%).
Entre 2000 e 2010, também caiu o percentual de indígenas que moram em áreas urbanas, movimento contrário ao do restante da população nacional.
'Retomadas'
Segundo a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira, autora do texto que acompanha o estudo, uma das hipóteses para a redução no percentual de indígenas no Sul, Sudeste e em cidades são os movimentos de retorno a terras tradicionais.

Nas últimas décadas, intensificaram-se no país as chamadas "retomadas", quando indígenas retornam às regiões de origem e reivindicam a demarcação desses territórios. Em alguns pontos, como no Nordeste e em Mato Grosso do Sul, muitos ainda aguardam a regularização das áreas, em processos conflituosos e contestados judicialmente.
Em outros casos, indígenas podem ter retornado a terras que tiveram sua demarcação concluída. Hoje 57,7% dos índios brasileiros vivem em terras indígenas.
Outra possibilidade, segundo Pereira, é que no Sul, Sudeste e nas cidades muitas pessoas que se declaravam como indígenas tenham deixado de fazê-lo.
Ainda que sua população indígena esteja em declínio, a cidade de São Paulo ocupa o quarto lugar na lista de municípios brasileiros com mais índios, com 13 mil. Parte do grupo vive em aldeias dos povos Guarani Mbya nos arredores da cidade, em territórios ainda em processo de demarcação.
O ranking é encabeçado por São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas. O município abriga 29 mil indígenas e foi o primeiro do país a aprovar como línguas oficiais, além do português, três idiomas nativos (tukano, baniwa e nheengatu).
O estudo mostra como morar numa terra indígena influencia os indicadores socioculturais dos povos. Entre os índios que residem nessas áreas, 57,3% falam ao menos uma língua nativa, índice que cai para 9,7% entre indígenas que moram em cidades.
Mesmo no Sul, região de intensa colonização e ocupação territorial, 67,5% dos índios que vivem em terras indígenas falam uma língua nativa, número só inferior ao da região Centro-Oeste (72,4%).
A taxa de fecundidade entre mulheres que moram em terras indígenas também é significativamente maior que entre as que vivem em cidades. Em terras indígenas, há 74 crianças de 0 a 4 anos para cada 100 mulheres, enquanto nas cidades há apenas 20.
Para Nilza Pereira, do IBGE, ao mostrar detalhes sobre indígenas de diferentes pontos do país, o estudo será útil para o planejamento de políticas públicas diferenciadas para esses povos. Os dados também foram usados na elaboração de vários mapas, que compõem o "Atlas Nacional do Brasil Milton Santos".
Cultura indígena
O ativista indígena Denilson Baniwa, cofundador da Rádio Yandê, diz à BBC Brasil que o estudo ajuda a combater a falta de conhecimento sobre os povos indígenas no Brasil.

Baniwa, que mora no Rio de Janeiro e é publicitário, diz se deparar frequentemente com pessoas que acham que "o indígena ainda é aquele de 1500". Segundo o ativista, muitos questionam por que ele se considera indígena mesmo falando português ou usando o computador em seu trabalho.
"Respondo que cultura não é algo estático, que ela vai se adaptando com o tempo. E pergunto a eles por que não vestem as mesmas roupas usadas pelos portugueses em 1500, por que não falam aquele mesmo português e por que não usam computadores de 1995."
Para Baniwa, há ainda grande desconhecimento sobre as enormes diferenças culturais entre os povos indígenas brasileiros. Ele exemplifica citando dois povos de sua terra natal (a região do rio Negro, no Amazonas), os baniwa e os tukano.
"Comparar um baniwa a um tukano é como comparar um francês a um japonês. São povos com línguas, hábitos e características físicas bastantes distintas, e isso porque vivem bem próximos. Imagine a diferença entre um baniwa e um kaingang, um povo lá do Rio Grande do Sul?"
Ao mesmo tempo em que combate o preconceito contra indígenas que, como ele, moram em cidades, Baniwa afirma que cada povo deve ser livre para decidir como quer se relacionar com o resto da sociedade.
"Se um povo entender que o contato com o mundo moderno não será benéfico e que prefere ficar mais isolado em sua terra, vamos lutar para que essa decisão seja respeitada."

terça-feira, 12 de julho de 2016

No Dia Mundial da População, veja o avanço populacional através das fotos da National Geographic

Dormitório escolar  na South China Normal University, em Guangzhou, China. Wing Ka H.

A partir desta manhã, há 7,3 bilhão de pessoas que vivem na Terra, de acordo com o Census Bureau's World Population Clock. E o número sobe a cada segundo porque os bebês continuam a nascer.  
Isso é uma estatística para refletirmos hoje, 11 de julho, que foi designado Dia Mundial da População ( #WorldPopulationDay ) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A ideia é se concentrar em "questões de população", que tocam em muitas preocupações prementes no mundo de hoje - de mortalidade materna até as alterações climáticas. O tema deste ano é "investir em meninas adolescentes" - certificando-se de que elas possam permanecer na escola e obter as informações que precisam sobre saúde, direitos humanos e direitos reprodutivos. 
 É também um dia para pensar sobre os espaços vitais da população sempre crescente do mundo. O Concurso Fotógrafo de Viagens 2016 da National Geographic dá-nos uma ideia de o quanto lotado um mundo de 7 bilhões pode  se sentir: As pessoas literalmente vivem umas sobre as outras em dormitórios de alto crescimento da China. No entanto, ainda há grande solidão em alguns dos pontos remotos da Terra, como uma aldeia de montanha na Índia. 
 Aqui estão algumas imagens que mostram o nosso planeta populoso.
 Nota: As legendas foram fornecidas pelos fotógrafos e foram editadas para ampliar o entendimento e clareza.

Uma mulher tribal Kinnaura em uma aldeia em Himachal Pradesh, um estado no 
planalto do Himalaia da Índia, carregando lenha. Mattia Passarini 

 Um mercado em Bangkok, Tailândia. Prasad Ambati 

 Os visitantes das margens do rio Ganges, na Índia, considerado sagrado 
pelos hindus. Massimo Rumi 

Hong Kong é o lar de mais de 7 milhões de habitantes. Andy Yeung 

 A cidade de Ho Chi Minh como é vista a partir do 12º andar de um albergue. A cidade vietnamita era anteriormente conhecida como Saigon. Rei Fung Wong 

 Dhaka, Bangladesh, é dito ser a capital mundial do riquixá, com centenas de 
milhares de pessoas em circulação. Zhen Li

Traduzido por Equattoria

sábado, 9 de julho de 2016

UM APLICATIVO BRASILEIRO QUE AJUDA A ORGANIZAR VIAGENS


Um aplicativo que foi criado por uma empresa de Santa Catarina para ajudar as pessoas a organizarem roteiros de viagem - é o Nativoo - disponível para Android e iOS. Confira a entrevista. Fonte: SBT Santa Catarina.

sábado, 2 de julho de 2016

Conheça os plugues de tomada usados no mundo e evite surpresas nas viagens


http://viagem.uol.com.br/

Em viagens internacionais, é cada vez mais comum levar ao menos o celular e o notebook. Tudo vai bem até chegar a hora de recarregar esses aparelhos. Você olha para a tomada e faz cara de interrogação enquanto segura o plugue. Boa parte do bom humor da viagem vai embora aí. Culpa dos padrões de plugues de tomadas em cada país.

"A primeira patente de tomada foi a americana e alguns países seguiram o modelo norte-americano. A Europa desenvolveu seu sistema elétrico mais ou menos na mesma época e adotaram um modelo diferente. Aí foi se diversificando e cada um adotando o seu padrão", explica Paulo Roberto dos Santos, professor de engenharia elétrica da Faculdade Anhanguera de Campinas (FAC).

Como cada nação possui suas próprias normas elétricas, é comum descobrir só no meio da viagem que é preciso adquirir um adaptador para conseguir ligar seu aparelho em uma tomada. Por isso, vale ficar atento. "O melhor é comprar o adaptador no Brasil e levá-lo para o país onde vai viajar para não chegar ao destino e precisar ficar procurando, decifrando o idioma", diz Paulo Roberto.

Perigo: alta (ou baixa) voltagem
Não é apenas a salada de padrões o único problema que o turista enfrenta em uma viagem. É importante também ficar atento à faixa de volts. "A Austrália e a Nova Zelândia trabalham com 240 volts. No Japão são 100 volts. Um DVD player brasileiro numa tomada de 240 volts pode tocar mais rápido. Ele corre até o risco de queimar", diz Paulo.

Por isso, sempre confira o número de volts da tomada antes de inserir o plugue. Felizmente, a indústria tem produzido aparelhos capazes de funcionar com diferentes voltagens. "Os aparelhos mais sensíveis já vem de fábrica com fonte própria: notebook, netbook, carregadores de celular. Eles conseguem funcionar com uma diferença grande de volts", explica o engenheiro. Para saber se seu produto pode ser usado em outro país, olhe a própria fonte do aparelho, ali está inscrito a faixa de volts que ele é capaz de funcionar.

Para você não errar e nem precisar sair de madrugada pelas ruas de outro país procurando adaptador, o UOL Viagem apresenta quais são os plugues dos principais países do mundo.

  • Arte/UOL
    Tomada tipo A (esquerda) e tipo B (direita)
América do Norte, Central e Japão (Tipo A e B)
Famoso também no Brasil antes da mudança do padrão de tomada, este plugue é composto por dois pinos achatados e paralelos. Nos Estados Unidos, um dos pinos costuma ser mais largo do que o outro (isso pode dificultar a conexão de um produto elétrico americano a uma tomada japonesa, por exemplo).

Em alguns casos, o plugue contém também uma entrada para fio terra: um pino redondo logo abaixo das duas abas.

  • Arte/UOL
    Tomada tipo C
Europa – Exceto Reino Unido (Tipo C, E, F, J, L)
Este plugue, o tipo C, era o mais comum no Brasil antes da alteração do padrão. Você provavelmente ainda se lembra dele. Possui dois pinos arredondados e paralelos. É o plugue mais comum em todo o mundo.

Variações:
Alguns países fizeram adaptações neste plugue para torná-lo mais seguro. Felizmente, essas modificações permitem a ligação de aparelhos elétricos que possuem a tomada tipo C em seus plugues. No entanto, em alguns casos, os pinos podem até entrar, mas o formato do plugue pode ser diferente, dificultando sua colocação. Por isso, a dica é procurar um adaptador.

  • Arte/UOL
    Tomada tipo F
Alemanha, Áustria, Bulgária, Croácia, Espanha, Estônia, Finlândia, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Portugal, Noruega, Rússia, Suécia

Nesta versão de tomada, definida como tipo F, duas de suas extremidades são clipes usados como fio terra.




  • Arte/UOL
    Tomada tipo E
Bélgica, França, Polônia, República Checa e Eslováquia

Um plugue redondo, com dois pinos arredondados e paralelos com um pequeno orifício no alto. Esta versão, a tipo E, evita choques e aumenta o uso do fio terra.



  • Arte/UOL
    Tomada tipo L

Itália

No país da bota e em outros, a tomada é a tipo L, com três pinos paralelos e de igual tamanho. Aqui é preciso prestar atenção na diferença de amperes. Existem dois modelos: um para 10A e outro para 16A. O primeiro é o mais comum e funciona normalmente com tomadas tipo C. Já o plugue para 16A possui mais espaço entre os pinos e eles são mais largos. Não deve ser usado com tomadas tipo C. Vale ficar atento para não causar nenhum acidente.

  • Arte/UOL
    Tomada tipo J
Suíça

O país criou um padrão parecido com o brasileiro, no entanto, eles não são compatíveis. O plugue tipo J possui três pinos redondos, dois paralelos e um outro, central.




  • Arte/UOL
    Tomada tipo G
Reino Unido (Tipo G) (Bahrein, Cingapura, Emirados Árabes, Escócia, Inglaterra, Hong Kong, Irlanda, Malásia, Uganda)

Considerada a tomada mais segura do mundo, o padrão britânico é identificado pelos três retângulos que formam o desenho de um triângulo. Seus plugues possuem um fusível. Ao adquirir um adaptador, é importante informar-se sobre o número de ampères para seu aparelho funcionar corretamente.

  • Arte/UOL
    Tomada tipo D
Ásia Meridional (Tipo D) (Índia, Sri Lanka, Nepal, Namíbia, Paquistão, Qatar)

Usado antes dos anos 1960 no Reino Unido, esta tomada ainda é padrão na Índia, Paquistão e outros países da região. Ela possui três pinos largos e redondos, formando o desenho de um triângulo.


  • Arte/UOL
    Tomada tipo H

Israel (Tipo H)

Utilizada somente em Israel, esta tomada possui três pinos largos e redondos formando um "V". Apesar de seu desenho peculiar, ele aceita plugues do tipo C (padrão europeu).



  • Arte/UOL
    Tomada tipo I

Argentina e Oceania (Tipo I)
(Austrália, Argentina, Fiji Nova Zelândia, Papua Nova Guiné)


Esta tomada possui três pinos achatados. Dois na diagonal e outro na posição vertical, na parte inferior.



  • Arte/UOL
    Tomada tipo M

África do Sul (Tipo M)

Possui três pinos largos e redondos, formando o desenho de um triângulo. É bem similar ao plugue usado na Ásia Meridional, porém, esse tem pinos mais largos. A tomada tipo M também é usada na Suazilândia e em Lesoto. A África do Sul também incluiu o tipo N como um dos seus padrões oficiais. O problema é que está junto com outros três padrões. O mais usado é o tipo M mesmo, que continua a venda - diferentemente do Brasil que os padrões antigos tiveram a comercialização proibida.



  • Arte/UOL
    Tomada tipo N
Brasil (Tipo N)

Em vigor desde 2010, as tomadas tipo N são utilizadas apenas no Brasil. São três pinos redondos, sendo dois paralelos e um terceiro no meio e ligeiramente abaixo. Este tipo de tomada não permite o uso de plugues com pinos achatados (tipo A e B). No entanto, é possível usar plugues tipo C mais novos (lançados depois de 2008).

sábado, 25 de junho de 2016

Como um Biodigestor pode mudar a vida do Sertanejo?


As perturbações ambientais provocadas pelas mudanças climáticas globais vêm tornando-se mais frequentes e afetam o cultivo de alimentos e a criação animal no mundo inteiro. Incêndios florestais, secas e inundações são os efeitos mais evidentes destas mudanças, as quais são objeto de preocupação da Diaconia, organização formada por igrejas evangélicas, cujos valores são baseados em princípios do reino de Deus, a exemplo da promoção da paz, da justiça e do respeito à igualdade de direitos. Firmada nestes princípios cristãos, a Diaconia defende a construção de uma sociedade justa, pelo serviço ao próximo, entre eles o cuidado com a criação.
A Diaconia contribui para restaurar a relação de homens e mulheres com a natureza, garantindo o direito das pessoas de conviver num mundo equilibrado, com boas práticas ambientais e qualidade de vida.
O salmista diz em seus poemas que “ao Senhor pertencem a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24.1). A Diaconia assume esta afirmativa como parte da “prática de sua fé” ajudando e empoderando politicamente famílias do Semiárido brasileiro no cuidado com a criação. Desenvolve projetos de boas práticas ambientais, com igrejas evangélicas e redes locais de articulação da sociedade civil, sensibilizando, mobilizando e capacitando famílias agricultoras para a transformação de suas vidas.
Uma das grandes iniciativas da instituição é o Biodigestor Sertanejo, que produz gás de cozinha, adubo orgânico, contribui para a diminuição do aquecimento global, melhora a saúde das pessoas e aumenta a renda das famílias. Um bom exemplo de transformação socioambiental é a experiência inspiradora do casal de agricultores Deda e Genedite. Eles melhoraram sua qualidade de vida por meio de práticas de convivência respeitosa com o meio ambiente. Possuem uma área de cultivo de produção de alimentos em bases agroecológicas, sistemas de captação de água da chuva e um biodigestor. (Para entender melhor esta experiência inspiradora que mudou a vida de Deda e Genedite, leia a história completa nowww.diaconia.org.br.)
DOWNLOAD GRATUITO

Para mudar a vida das famílias, é importante fortalecer o diálogo e o engajamento de igrejas cristãs, organizações da sociedade civil e redes locais de articulação – todos assumindo o princípio de luta por justiça de Deus. A Diaconia participa de articulações como a Rede Miqueias, Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e Fórum Ecumênico ACT Brasil. Acreditamos que nosso papel é o de contribuir para a restauração das relações entre a humanidade e a natureza, por meio de articulações sociais que lutam por direitos, implementação de tecnologias sociais e influência em políticas públicas necessárias para se ter um meio ambiente saudável e sustentável.
Nota: Texto publicado originalmente na seção Meio Ambiente e Fé Cristã da revista Ultimato, edição 360.

  • Marcelino de Souza Lima foi coordenador político-pedagógico da Diaconia e do Programa de Apoio à Agricultura Familiar (PAAF).
  • Ita Porto de Oliveira é assessora político-pedagógica da Diaconia.

VÍDEO
Vídeo da prática “Disseminando o Biodigestor”, vencedora do 9º Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local Edição 2015/2016:


sábado, 18 de junho de 2016

FAO: COMO ALIMENTAR A CRESCENTE POPULAÇÃO GLOBAL?


Até 2050, a população mundial irá provavelmente aumentar em 35%. Para alimentar todas e todos, a produção agrícola terá de duplicar. O que podemos fazer para alimentar esta crescente população e proteger o meio ambiente ao mesmo tempo?
A agricultura é maior empreendimento humano na Terra, usando mais de 38% de terra livre. No entanto, apenas 55% das calorias de cereais do mundo alimentam as pessoas diretamente – 36% alimentam o gado e 9% vão para os biocombustíveis e a indústria. Além disso, aproximadamente 25% dos alimentos do mundo são perdidos ou desperdiçados.
Não precisamos necessariamente de mais comida. Precisamos pensar nas prioridades. Em 2050, a população mundial provavelmente aumentará em até 35%. Para alimentar essa população, a produção agrícola terá que duplicar.
Como a prosperidade está impulsionando a demanda por mais carne, um pobre comércio de valiosas calorias, a nossa necessidade de alimentos representa um dos maiores perigos para o mundo. A agricultura emite mais gases de efeito estufa do que os veículos, e limpar o habitat para criar terras agrícolas acelera a perda de biodiversidade.
Então, o que nós podemos fazer? E se a gente parar de cortar as florestas e aprimorar as fazendas que temos? Utilizar os recursos de forma mais eficiente? Mudar nossa alimentação? Reduzir o desperdício? Soluções vão nos ajudar a alimentar um planeta com fome e um planeta saudável.
FONTE: ONU Brasil

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Brasil-África: A importância da representação diplomática e da cooperação com o continente africano

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Joanesburgo – Com 39 representações diplomáticas no continente africano, o Brasil alcançou, nos últimos anos, um novo patamar em sua relação com a África. Antes de 2003, havia 18 embaixadas e um consulado em território africano. Dez anos depois, o governo havia ampliado o número de representações diplomáticas em mais 19 embaixadas e 1 consulado e dado um salto no intercâmbio comercial de 410%, segundo a APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Nas últimas semanas, esse engajamento brasileiro não pôde deixar de ser lembrado diante do anúncio do ministro das Relações Exteriores do governo provisório, José Serra, que solicitou estudos sobre as representações diplomáticas do Brasil na África e na Ásia. A iniciativa gerou incômodo diante da possibilidade de reduzir a presença brasileira no continente africano.
Em discurso de boas-vindas ao novo ministro, o embaixador Mauro Vieira, que ocupou a pasta no governo da presidenta afastada Dilma Rousseff, lembrou que o Brasil foi protagonista de ações importantes para o mundo como a assinatura do Acordo de Paris (compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para combater as mudanças climáticas) e a Cúpula de Nairóbi (para pôr fim aos subsídios sobre exportações agrícolas), que trouxe avanço para as questões agrícolas.
Das cinco embaixadas que o novo governo planejava fechar, de acordo com informações de fontes do Itamaraty ao Por dentro da África, o número caiu para duas. Libéria e Serra Leoa seriam os países escolhidos para reduzir a presença brasileira no continente, mas o Ministério das Relações Exteriores ainda não confirmou.
Celso Amorim – Divulgação
Em entrevista ao Por dentro da África, o ex-chanceler (durante os dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva) Celso Amorim lembrou que a Libéria, incluída no possível corte, é o único país africano governado por uma mulher, que pacificou o país após uma brutal guerra civil e comandou a luta contra o ebola. Ellen Johnson-Sirleaf foi reeleita em 2011 para um novo mandato, mesmo ano em que venceu o prêmio Nobel da Paz.
– O Brasil praticamente dobrou o número de embaixadas na África. No início do governo Lula, foi criada, por exemplo, a embaixada em São Tomé e Príncipe, o único de língua portuguesa onde não tínhamos representação. Dentre as muitas iniciativas importantes, o Brasil abriu um escritório da Embrapa em Gana e uma fábrica de antirretrovirais em Moçambique. Desde o início, a batalha era pela África. Eu dizia isso quando estava na ONU, principalmente, porque, em qualquer votação da ONU, a África sempre foi e será fundamental – destacou Amorim.
Esse caminho que o Brasil percorreu ao encontro da África repercutiu no reconhecimento da posição do país num contexto maior de interação com países do Atlântico Sul e da África do Norte, como o Egito e o Marrocos, por exemplo. Essa expansão dos interesses brasileiros para o Atlântico Sul (reforçado com o surgimento dos BRICS – grupo político de cooperação formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e países árabes teve como consequência sobretudo o protagonismo brasileiro em negociações internacionais, além de receber cargos importantes como a direção da FAO, comandada por José Graziano da Silva, e a direção da Organização Mundial do Comércio, comandada por Roberto Azevêdo.
A notícia de que o governo interino estaria estudando fechar embaixadas brasileiras em países africanos causou preocupação naqueles que conhecem o crescimento do continente, que é de mais de 5% ao ano, desde o começo deste século. Para ser concretizada, a medida deveria ter respaldo em cálculos econômicos e orçamentários, o que, até agora, não foi comprovado. No total, o Itamaraty emprega 91 diplomatas em missão permanente e 6 em missão transitória na África, segundo dados de junho de 2016 do Ministério das Relações Exteriores. Uma ação como essa, possivelmente, acarretaria perdas políticas relevantes de curto e longo prazos para a atuação brasileira.
diplomatas (1)-Uma das primeiras viagens que eu fiz à África Oriental foi a Nairóbi (Quênia), onde eu me deparei com o nosso arquivo dentro de um banheiro feminino. Ter uma embaixada lá e em outros países da região era crucial além dos custos serem bem reduzidos. Muitas vezes, os custos de aluguel de uma representação na África são inferiores aos reparos rotineiros de representações em lugares como Paris e Washington. Na outra ponta, na África Ocidental, a presença do Brasil é extremamente relevante. Se houver um problema grave na Guiné-Bissau, por exemplo, temos como agir com a nossa representação em Serra Leoa, Senegal – exemplificou Amorim, autor dos livros Conversa com jovens diplomatas (Benvirá, 2011), Breves narrativas diplomáticas (Benvirá, 2013), Teerã, Ramalá e Doha – Memórias da Política Externa Ativa e Altiva (Benvirá, 2015).
O historiador Alberto da Costa e Silva, que foi embaixador na Nigéria e no Benim, lembra que, nos anos 1990, as relações comerciais e diplomáticas declinaram. Em 1993, o Brasil tinha 24 diplomatas na África, em 1983, eram 34. Uma das primeiras medidas do Itamaraty durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi o de reabrir embaixadas e consulados que haviam sido fechados, além de abrir outras em novas capitais, marcando assim a presença brasileira pela primeira vez.
Alberto da Costa e Silva – Divulgação
-O despertar para África chegou com a abertura de 19 embaixadas em todo o continente africano, com 33 viagens presidenciais de Lula ao continente que hoje importa programas brasileiros como o Bolsa Família e influencia projetos como a merenda escolar e agricultura familiar, vigentes em países como Etiópia, Moçambique, Níger, Senegal e Malawi – destacou o ex-diplomata Alberto.
Na arena política multilateral, a perda do peso político do Brasil seria seguramente uma consequência, lembrando que o apoio dos países em desenvolvimento – especialmente africanos e caribenhos – fez com que o Brasil alcançasse vitórias importantes no plano internacional.
-A nossa presença na África tem a ver com a nossa presença no mundo. Esse reconhecimento foi a coisa mais importante que ganhamos com todas essas negociações comerciais. O fato de o Brasil ter uma grande entrada na África nos dá “cacife” para conversar com outros blocos e países – disse Amorim.
Laços e aproximação entre Brasil e África
A relação entre Brasil e África, esses dois pedaços de terra ligados pelo Atlântico, começou bem antes do tráfico transatlântico (que trouxe cerca de 5 milhões de africanos escravizados para o Brasil entre os séculos XVI e XVIII) e seguiu pelos séculos seguintes. Quando o processo de descolonização na África ganhou força (na década de 60), o Brasil foi um dos primeiros a buscar parcerias com as novas nações africanas independentes, sendo pioneiro a reconhecer a independência de Angola, em 1975.
Rwandas-new-parliament
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Atualmente, a África registra taxas elevadas de crescimento, acima da média mundial. Neste ano, de acordo com o Banco Mundial, a África Subsaariana deve crescer 4%. Entre os que mais crescem estão Ruanda (7% em 2015), país que se orgulha por ter a maior participação feminina em um Parlamento (mais de 60%).
Voltando algumas décadas, nos anos 1950 e início dos anos 1960, a África experimentou a grande euforia da liberdade. O colonialismo durou muito pouco tempo (por volta 1900 a 1970), mas causou um dano imensurável como no Congo do rei Leopoldo, da Bélgica, que usava o território como possessão pessoal e não como uma colônia de Estado. Essa foi a maior anomalia da colonização, lembrou Costa e Silva.
– Apesar de ter durado pouco, o colonialismo em toda a África teve um impacto espantoso. Em um espaço de 60 anos, apareceu a luz elétrica, o telégrafo, a máquina a vapor, o rádio, a aspirina, a psicanálise, o raio X… A Europa e os EUA promoveram um impacto assustador dos novos costumes. Na medida em que os povos começavam aprender a ler, a escrever, eles começavam a olhar de forma diferente, estabeleciam uma espécie de conflito entre o que eram e o que desejavam ser porque o poder colonial fazia questão de humilhar (vou usar um verbo forte) o conquistado – contou ao Por dentro da África o autor de “A Enxada e a Lança: a África antes dos Portugueses” e “A Manilha e o Lilambo: a África e a Escravidão, de 1.500 a 1700”.
Hoje, Costa e Silva ressalta que o mundo começa a ter uma ideia menos falsa da África de hoje e da África aonde chegaram os europeus, no século XV. Começa a se verificar que os europeus tinham uma visão mais aberta do que aqueles que chegaram antes dos séculos XIX e XX.
– Houve o período das grandes ditaduras e, depois, um enfraquecimento do governo e um palatino regresso da tradição africana, que é a do consenso, do respeito pela diferença. Hoje, regimes como o de Robert Mugabe (presidente do Zimbábue desde 1981) são exceção na África – disse Alberto.
Cooperação brasileira
Hoje, a cooperação brasileira beneficia mais de 30 países da África (há 55 países no continente contando com Saara Ocidental), com um orçamento de cerca de US$ 57 milhões em projetos. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE) coordena cerca de 150 iniciativas (muitas ainda estão no papel) com destaque para projetos em Angola, Argélia, Benin, Cabo Verde, Guiné Bissau, Mali, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Senegal e Tanzânia. Os países de língua portuguesa reúnem o maior número de projetos e orçamento quando comparados aos países das Áfricas francófona e anglófona somados.
Cabe ressaltar que essas colaborações entre instituições nasceram, em geral, de interesses concretos e afins; por isso, podem ser até mais produtivas no terreno do que aquelas iniciativas formalmente concluídas pela ABC.
PAA Africa – Foto: FAO
A atuação brasileira se estende por muitas áreas. O maior número de programas abrange temas como agricultura, saúde, educação e formação profissional. O Projeto “Cotton-4”, por exemplo, promove a cooperação técnica brasileira no setor algodoeiro africano – que ocupa posição estratégica na política de desenvolvimento e redução da pobreza de vários países do continente. Com o apoio técnico da Embrapa, o “Cotton-4” atingiu expressivos resultados nos países beneficiários (Benin, Burkina Faso, Chade e Mali, na primeira fase do projeto).
Na área humanitária, de 2006 a 2015, o país realizou 682 ações internacionais de cooperação humanitária (com medicamentos e alimentos), das quais 392 foram viabilizadas por meio de dotação orçamentária do Ministério das Relações Exteriores, que beneficiava mais de 96 países na América Latina e Caribe, África, Ásia e Oriente Médio.
Em 2014, de acordo com a APEX, o superávit para o lado africano foi US$ 7,4 bilhões, com o Brasil exportando US$ 9,7 bilhões e importando US$17,1 bilhões. Segundo a agência, entre 2002 e 2012, o intercâmbio comercial entre Brasil e África aumentou 410%. Entre 2004 e 2014, as exportações brasileiras para os países africanos cresceram 131%, com destaque para açúcar, carne bovina, carne de aves e cereais. Esses números tão positivos para as economias do Brasil e da África vão de encontro a ideia de que a relação com o continente se guia apenas por programas sociais. Em discurso, o novo ministro desqualificou a presença brasileira dizendo que ela não pode se guiar só pela solidariedade.
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Esse movimento de olhar e negociar com a África ecoou na América do Sul. A Cúpula América do Sul–África (ASA), por exemplo, foi parte desse processo. Por ser o único mecanismo a reunir periodicamente líderes africanos e sul-americanos, é uma plataforma privilegiada para o estreitamento de laços entre as duas regiões. A ASA reúne 66 países (54 africanos e 12 sul-americanos), um terço dos membros da ONU, dois organismos regionais e atores privados. O PIB de seus países era da ordem de US$6 trilhões, em 2011, e um total de mais de 1,4 bilhão de pessoas.
Brasil e alimentação escolar na África
Na área da alimentação escolar, Daniel Balaban, chefe do Centro de Excelência contra a Fome, disse em entrevista ao Por dentro da África que o Brasil é um exemplo internacional porque tem um programa universal, gratuito, não excludente, que atende 45 milhões de estudantes todos os dias, desde a creche até o final do ensino médio.
Daniel Balaban – Divulgação
– São 54 milhões de refeições servidas diariamente que seguem padrões nutricionais eficientes, respeitando culturas locais e comprando ao menos 30% diretamente da agricultura familiar, gerando também emprego e renda. Esse modelo chamou interesse de vários países em desenvolvimento do mundo, em especial os africanos – ressaltou Balaban, que já esteve em missão em 20 países africanos.
O Centro de Excelência contra a Fome do PMA/ONU é um núcleo de cooperação Sul-Sul, resultado de uma parceria entre o Programa Mundial de Alimentos e o governo brasileiro para apoiar governos na África, Ásia e América Latina na busca por soluções sustentáveis contra a fome. É uma plataforma de conhecimento que reúne nações para ajudá-las a desenvolver políticas nacionais por meio de aconselhamento político de alto nível, assistência técnica e oportunidades de diálogo entre pares.
Balaban lembra a importância do Brasil nesse processo, pois trata-se de um país em desenvolvimento, respeitado e considerado pelos países africanos. O papel do Brasil nesse processo é de facilitar o diálogo e liberar membros especialistas dos governos federal, estadual e municipal para participarem das missões e diálogos nacionais.
– Uma mudança da política externa sem dar a devida atenção aos países africanos seria desconhecer a importância do continente, seu crescimento econômico e, principalmente, o potencial do Brasil como um grande player internacional na cooperação internacional sul-sul – disse Balaban, completando que o centro, inaugurado em novembro de 2011, recebeu 46 missões de estudo de 38 países diferentes.
PAA Africa – Senegal – Divulgação
Muitas das políticas sociais brasileiras inspiraram programas em diferentes países africanos como, por exemplo, o Bolsa Família. Nesta área que une agricultura e preocupação com nutrição, o papel do Brasil foi vital para as ações do PAA Africa. Em 2010, um diálogo entre Brasil e África sobre segurança alimentar foi o ponto de partida para reforçar as possibilidades de cooperação entre o continente africano e o lado brasileiro.
O PAA Africa (Purchase from Africans for Africa) é uma iniciativa do governo brasileiro em parceria com o PMA (Programa Mundial de Alimentos), a FAO (Organização da ONU para Alimentação e Agricultura) e o DFID (Departamento para Desenvolvimento Internacional do Reino Unido) para promover a segurança alimentar e o fortalecimento da agricultura familiar no Malawi, Moçambique, Etiópia, Níger e Senegal.
Exemplo de Gana
A inspiração na experiência brasileira de combate à fome é apenas um dos exemplos que aproximam o país africano do Brasil. Em Gana, atualmente, há cinco construtoras e duas investidoras na área agrícola. Uma delas, é a Brasil Agrobusiness, que veio do Rio Grande do Sul, planta e vende arroz para o mercado interno e para os países da região. Outra empresa brasileira, a Usibras, em atuação na agricultura ganense, assume o posto de maior exportadora de castanha de caju do país.
Na área da construção civil, entre um dos projetos desenvolvidos pelas construtoras brasileiras, segundo a embaixadora brasileira no país, Irene Vida Gala, está a renovação do mercado de Kumasi (região dos ashanti localizada no centro do país), o maior mercado da África Ocidental, com uma movimentação de 300 mil pessoas por dia. Esse projeto foi desenvolvido em parceria com o professor ganense Ebenezer Takiwa, que passou 20 anos de sua vida estudando o centro comercial mais importante do país.
Irene Gala – Por dentro da África
– Quando eu cheguei aqui, havia 50 brasileiros; hoje, somos 500. Estamos mais bem vistos por aqui. As empresas brasileiras têm perfil de seguir os padrões de segurança. Com base nisso, fui convidada por uma associação de engenheiros do país que reconhecem o trabalho do Brasil. Eu tenho bastante orgulho das empresas que estão aqui porque temos feito um bonito trabalho – ressalta Irene sobre o acréscimo da comunidade brasileira em solo ganense. De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, em 2015, havia mais de 25 mil brasileiros vivendo na África.
Economia africana: As previsões de crescimento são de 50% até 2019
De acordo com a consultora Deloitte, a economia africana tem previsão de crescimento de cerca de 50% – de 1,1 bilhões de dólares para 3,17 bilhões de dólares até 2019. Em 2030, mais de 500 milhões de africanos pertencerão à classe média. A população será, também, maioritariamente jovem, com cerca de 680 milhões de pessoas – ou seja, cerca de 60% da população – abaixo dos 25 anos.
O continente está sendo disputado palmo a palmo desde o ano 2000 pelos países em desenvolvimento, sobretudo a China, mas também India, Turquia, Rússia, Singapura, Tailândia. Além das grandes potências colonizadoras, Grã-Bretanha e França, e os países ricos, principalmente EUA e Japão. Todos percebem que a África é a maior reserva natural de riquezas do mundo, que são essenciais para o desenvolvimento de cada um destes países, sobretudo por conta das terras agriculturáveis para plantação de alimentos, petróleo, gás e minérios.
brasil-africa-exporta (1)Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em 2000, o total de exportação brasileira para a África era de mais de 1.3 bilhão de dólares. Em 2015, esse número foi de mais de 8.2 bilhões de dólares. Em relação à importação, o salto foi de 2.9 bilhões, em 2000, para 8.7 bilhões, lembrando que, em 2014, as importações superaram os 17 bilhões.
brasil-africa-importaEsse crescimento certamente influenciou na abertura do escritório do BNDES na África. Em 2013, o banco abriu a sua sede africana em Joanesburgo, África do Sul, para melhor orientar e atender as demandas de empresários brasileiros.
Sobre a dívida africana, de acordo com o artigo “Revisiting Debt Sustainability in Africa”, a relação dívida/PIB dos países africanos, em média, está em 23%, bem abaixo da relação dívida/PIB média dos países da zona do Euro (que está hoje na casa dos 90%). O FMI considera como prudente para países em desenvolvimento uma relação dívida/PID de 60%.
O perdão e renegociação da dívida africana
Em cerimônia na União Africana, em Adis Abeba, na Etiópia, em 25 de maio de 2013, a presidenta Dilma Rousseff anunciou o desejo de concluir o processo de perdão e renegociação da dívida de países africanos. Essas negociações já estavam em andamento, algumas, há décadas. A medida beneficiaria o Brasil (o governo passaria a receber parte deste montante e as empresas brasileiras, que teriam a permissão para participar de editais e novos contratos nos países) e 12 nações africanas como Senegal, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gabão, Mauritânia, São Tomé e Príncipe, Sudão e Guiné-Bissau.
A renegociação da dívida de cerca de 900 milhões de dólares com o governo brasileiro não foi tomada isoladamente, foi uma recomendação da comunidade internacional, inclusive do FMI e Banco Mundial, que criaram a Iniciativa para Países Pobres e Altamente Endividados. A lei federal 9665, que autoriza as operações de perdão de dívida, é de autoria do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Foto: PAA Africa – Divulgação
Na época do anúncio, analistas do Itamaraty sentaram e analisaram caso a caso levando em conta a existência de uma restrição na lei que não permite o cancelamento de 100% da divida. Diante dessa regra, de acordo com a situação de cada país, cerca de 80% da dívida seria perdoada e 20% renegociada. Cabe ressaltar que esse processo foi feito em consulta com o Clube de Paris, instituição dedicada a ajudar financeiramente países com dificuldades econômicas. A percepção que prevalece no Clube de Paris é de que o peso das dívidas torna insustentável a recuperação das economias africanas.
O anúncio sobre a renegociação da dívida africana foi noticiada de forma irresponsável por alguns veículos brasileiros como o Jornal O Globo, que, em 4/8/2013, publicou a reportagem com o seguinte título “Filho de ditador gasta em compras o dobro da dívida com o Brasil”. Cabe destacar que a Guiné Equatorial, país que o jornal citou em sua reportagem, não tem dívida com o Brasil. Na ocasião, o veículo confundiu Guiné Equatorial com Guiné-Conacri, países que nem sequer fazem fronteiras.
Em 5 de agosto de 2013, senadores de oposição ao governo aprovaram mudanças na tramitação de projetos de renegociação de dívidas externas com o Brasil. Hoje, alguns países como Senegal e Sudão tiveram acordos de reestruturação da dívida aprovados pelo Senado, enquanto outros foram barrados.
“O Brasil não nos dá o peixe; o Brasil nos ensina a pescar”
Acra, Gana – Por dentro da África
Durante visita ao continente africano como ministro da Defesa, posto que ocupou durante o primeiro governo Dilma, Amorim lembra que o então presidente da Namíbia, Hifikepunye Pohamba, disse a ele algo que o deixou muito feliz. “A diferença da cooperação com o Brasil e outras economias, sejam tradicionais, sejam economias emergentes, é que o Brasil não nos dá o peixe; o Brasil nos ensina a pescar”.
Avaliando o que Pohamba falou, Amorim acredita que essa deve ser a diferença da cooperação do Brasil com os outros países. Para ele, a política do Brasil em relação à África está consolidada, mas ainda é preciso se interessar e estimular essa relação, que não é só política ou comercial, mas humana.
Presidente Pohamba - Divulgação
Presidente Pohamba – Divulgação
Observando o avanço econômico, social e político, é possível ver que a presença brasileira na África ajuda a construir confiança e a estreitar posições nos foros regionais e multilaterais. Muitas vitórias diplomáticas brasileiras se devem a essa relação. As nações africanas, em geral, veem o Brasil com especial carinho, como um país africano fora da África.
-A cooperação entre Brasil e África tem muitas facetas. Uma frase que sintetiza essa relação é a do acadêmico africano Calestous Juma que diz que “para cada problema africano, existe uma solução brasileira”. Eu não sei se isso é verdade, mas, se esse lema for seguido, o Brasil poderá fazer a diferença na ajuda ao continente africano. E isso só fará engrandecer humanamente este país. Essa troca de experiências e aprendizados vem trazendo muitos benefícios tanto para África quanto para o Brasil. Não se pode subestimar o nosso valor de influenciar e beneficiar a África e o próprio país – completou Amorim.
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