terça-feira, 29 de novembro de 2016

Conheça os fones de ouvido que prometem traduzir idiomas em tempo real




Não se trata de uma espécie de Peixe de Babel (Babel Fish), criado por Douglas Adams em “O Guia dos Mochileiros das Galáxias”, e tampouco traduzirá palavras alienígenas.
Porém, o conceito é semelhante. Trata-se uma nova tecnologia criada pela startup Waverly Labs, de Nova York, que, em breve, facilitará o contato entre pessoas de diversas culturas. O aparelho funciona como um pequeno fone de ouvido que traduz em tempo real o que está sendo falando em diversos idiomas.
Apelidado de Pilot, ele é muito semelhante a um fone regular, só que não possui fios ou cabos, e permite conexão com a internet. Dessa forma, para as pessoas que costumam viajar para países onde o idioma falado é desconhecido por ela, a internet poderá intermediar a tradução.

A versão inicial será lançada na próxima semana e a campanha de financiamento coletivo, intermediada pelo site Indiegogo, iniciará no dia 25 de maio. Serão dispostas traduções para idiomas em inglês, espanhol, francês e italiano. De acordo com a empresa, em breve serão dispostas outras línguas, tais como, hindi, árabe, algumas línguas do leste asiático e também eslavas. Português? Não tem previsão.
Até o momento, os detalhes tecnológicos sobre o funcionamento do produto são poucos. Ao que tudo indica, segundo relatado pela Science Alert, ele é capaz também de funcionar sem conexão com a internet apenas emparelhando-o com um aplicativo de smartphone. Estima-se que o produto final vá custar entre U$ 249 e U$299 (R$ 880 e R$ 1057, respectivamente) e o início das vendas ainda não foi anunciado.
A primeira versão do dispositivo só funcionará quando a pessoa estiver falando com alguém que também possua o auricular. Porém, a empresa disse que as versões futuras serão capazes de traduzir qualquer fonte falada que esteja perto da pessoa com o Pilot.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Um mapa para viajantes: quais os países mais perigosos do mundo?


Pode ser um mapa útil para quem está a planear viajar nos próximos tempos ou para quem, por motivos profissionais, passa o tempo a saltitar entre países. A empresa de estudos de mercado Ipsos Mori juntou-se à SOS International and Control Risks para desenhar um mapa interactivo que deixe os viajantes fora de perigo. A Síria, o Afeganistão e o Iémen são dos mais perigosos. Portugal é um um bom lugar para estar, com níveis baixos de perigo.

O mapa classifica países de todo o mundo segundo cinco níveis de perigo: insignificante, baixo, médio, alto e extremo. Além do trio atrás referido também a Colômbia, o México e o Paquistão integram os destinos mais perigosos. Do outro lado da escala, estão países como a Noruega, a Suécia, a Suíça, a Finlândia, Eslovénia, Dinamarca ou a Islândia.

Além da classificação geral, o mapa permite analisar a segurança em termos médicos e segurança na estrada.

Baixe o mapa em PDF, CLICANDO AQUI.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Como construir um ar-condicionado sem eletricidade




Asituação precária de Bangladesh torna a vida de muitos habitantes difícil, além de não terem eletricidade, internet, água limpa, comida, ainda sofrem com a alta temperatura.
Em Daulatdia um vilarejo no país com aproximadamente 28 mil pessoas, empilhadas em casebres sem água corrente, com temperaturas que passam de 45ºC, criaram o primeiro ar-condicionado sem eletricidade, com baixo custo já que é feito de garrafas pet e papelão.

São feitos furos no papelão, e preenchidos com garrafas pet. Após finalizado, o ar-condicionado é colocado na frente da porta ou janela. O efeito refrigerador é imediato e abaixa 12º celsius.


Isso acontece pois o ar quente entra nas garrafas pelo lado de fora e depois manda um ar mais frio pra fora pela passagem da garrafa. Além de ajudar na refrigeração deste lugar, também incentiva a reciclagem.
O Eco-cooler com certeza é uma ideia muito criativa e que ajuda muito essas pessoas, veja o vídeo abaixo de como funciona essa invenção:

sábado, 5 de novembro de 2016

Nova Metodologia de Tradução Bíblica chega à África Ocidental


http://www.radarmissionario.org/

Brigite Manga tem 21 anos. Como mulher tem muitas tarefas em casa, mas quando ouviu falar de uma nova metodologia de tradução da bíblia não pensou duas vezes para dizer sim ao convite de participar de uma oficina MAST (Mobilização, Apoio e Suporte à Tradução) como tradutora da língua Djola Baiote. E nem mesmo os cuidados com a filha de um ano, a pequena Ercília, tiraram o ânimo de Brigite para traduzir.
Aos poucos, versículo por versículo, o texto bíblico foi surgindo em um novo idioma. Os Baiote vivem predominantemente na fronteira entre Guiné-Bissau e Senegal,  países africanos. Eles são animistas, acreditam em espíritos e fazem sacrifícios. Mas, estão sendo alcançados pelo Evangelho de Cristo, como Brigite.
A primeira oficina MAST em Guiné-Bissau encontrou uma igreja forte, esperançosa e alegre com a possibilidade de traduzir a Bíblia para os grupos étnicos que representam mais de 30 línguas no país. A Igreja Evangélica de Guiné-Bissau escolheu 22 cristãos que falam crioulo (língua fonte) e duas línguas nativas, Djola Baiote e Balanta Naga,  para participarem da experiência com a nova metodologia de tradução durante duas semanas. “É como se estivéssemos vivendo um novo Pentecostes. Lá, os discípulos começaram a pregar e as pessoas ouviam na sua própria língua. Traduzir a Bíblia para as línguas do nosso povo é o início de um avivamento em Guiné-Bissau”, disse Abrão Indibé, um dos tradutores.

sábado, 29 de outubro de 2016

Doenças que atingem 1 bi de pessoas: E ninguém se importa


Negligência
Com o impacto gerado pela epidemia do vírus zika, que se espalha para outras partes do mundo, parece fácil esquecer que centenas de milhões de pessoas nos países mais pobres ou em desenvolvimento sofrem de "doenças tropicais negligenciadas", ou DTNs.
Trata-se de um grupo de doenças tropicais endêmicas, especialmente entre populações pobres da África, Ásia e América Latina.
A negligência é das autoridades de saúde e das empresas farmacêuticas, que não veem essa parcela da população como mercado capaz de comprar medicamentos.
Surtos como o de zika, emergência internacional presente hoje em mais de 60 países e territórios, vêm e vão ao longo do tempo e ganham as manchetes da imprensa. Porém, silenciosamente, mais de 1 bilhão de pessoas em 149 países sofrem com as doenças tropicais negligenciadas.

DTNs
A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece 18 doenças como DTNs: dengue, raiva, tracoma, úlcera de Buruli, bouba, hanseníase, doença de Chagas, doença do sono, leishmaniose, teníase/neurocisticercose, dracunculíase, equinococose, trematodíases de origem alimentar, filariose linfática, oncocercose (cegueira dos rios), esquistossomose, helmintíases transmitidas pelo solo e micetoma.
No Brasil, a DTN que tem maior incidência, em números absolutos, é a dengue, segundo a entidade Médicos Sem Fronteiras - ainda que, mais recentemente, venha havendo um esforço consistente para o desenvolvimento de uma vacina. Outra doença preocupante em território nacional é a hanseníase (lepra): o Ministério da Saúde registrou cerca de 28 mil novos casos de infecção em 2015.
Diferentemente da infecção por zika ou ebola - ou da gripe aviária e da Sars, voltando um pouco no tempo -, há pouco risco de as DTNs se espalharem pelo mundo desenvolvido.
Os atingidos se concentram em áreas rurais remotas ou aglomerados urbanos, e a voz dessas pessoas quase não se faz ouvir pelo mundo.

Anos Vividos com Incapacidade
Nem todas as infecções por DTNs resultam em morte, mas conviver com elas pode ser debilitante. Uma maneira de medir o impacto de doenças na saúde da população é relacionar a duração média da enfermidade com sua gravidade, um indicador chamado Anos Vividos com Incapacidade (AVIs).


Embora a China e a Índia sejam os países mais afetados por DTNs, isso ocorre pelo tamanho das populações dessas nações. Ajustando a medição por população, países africanos, do Sudeste Asiático e pequenos arquipélagos como Kiribati e ilhas Marshall se destacam como as áreas mais atingidas.
Na República Democrática do Congo, um dos países mais afetados, o Instituto para Métricas Médicas e Avaliações, centro de pesquisa da Universidade de Washington, disse que apenas em 2013 houve mais de 8 milhões de casos de apenas uma DTN, a oncocercose ou cegueira dos rios, resultando em 500 mil AVIs.
oncocercose é uma doença parasitária crônica transmitida por mosquitos que carregam o nematódeo Onchocerca volvulus. No corpo humano, essas larvas se tornam vermes adultos que podem causar cegueira, lesões cutâneas, coceira intensa e despigmentação da pele quando os vermes morrem.

Avanços e retrocessos
Apesar de a oncocercose ser uma das DTNs mais disseminadas, muitos países a controlaram pela aplicação de inseticidas, e houve uma queda de 24% de 1990 a 2013 nos AVIs causados pela enfermidade no mundo.
Há outros casos bem-sucedidos. Infecções intestinais por nematódeos, como aquelas causadas por vermes em forma de gancho, registraram a maior queda entre as DTNs - 46% até 2013. Já o chamado verme-da-Guiné, causador da dracunculíase, está quase erradicado.
Mas enquanto a maioria das DTNs registram prevalência menor em 2013 do que em 1990, algumas estão em alta, e certas doenças possuem um potencial de estrago maior do que as enfermidades que estão recuando.
leishmaniose é uma delas: Cerca de 12 milhões de pessoas estão infectadas, e houve um aumento de 136% nos AVIs desde 1990. E o caso mais preocupante é da dengue, doença conhecida dos brasileiros, mas distante do mundo desenvolvido. Segundo a OMS, há registro de cerca de 390 milhões de casos de dengue no mundo por ano, e 96 milhões desses casos resultam em doenças com alguma severidade. Houve aumento superior a 600% nos AVIs causados pela dengue desde 1990.

BBC

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Uma coleção de mapas inusitados para aumentar sua visão de mundo

Países que possuem população menor que a cidade de Xangai (China).




Marcas de carro mais procuradas nos países.


Mapa das principais doenças que acometem as populações dos continentes. Para cada doença ou grupo de doenças, a autora do mapa representou ilustrou o mapa com a célula do coro humano correspondente. América do Norte: células de gordura (tecido adiposo), em virtude da epidemia de obesidade. Europa e a Rússia: tecido cerebral, em virtude das doenças neurodegenerativas que afetam principalmente a população com idade avançada. Ásia Oriental e a região do Oceano Pacífico: Tecido pancreático, que, quando em disfunção, pode resultar em diabetes. África: Células do sangue, representando as doenças que mais vítimas fazem no continente – a malária e o HIV.  Brasil e o restante da América do Sul: Células pulmonares em virtude das mortes causadas pelo tabagismo e infecções respiratórias.
Mapa: Odra Noel



A Gallup fez uma pesquisa em 136 países a respeito da quantidade de amor que as pessoas percebiam em suas próprias vidas. A pergunta foi "Você experimentou amor durante grande parte do dia de ontem?".



Mapa representando os nomes das moedas dos países.



População do Sul/Sudeste asiático.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Pode o Evangelho ser conhecido na Índia urbana?


Por Jessica Grant
http://ultimato.com.br/
#ELJ2016 – O mapa que mostrava onde estão os grupos ainda não alcançados pintava de vermelho diversos pontos na Índia, uma das maiores nações do mundo com mais de 1 bilhão de habitantes. Para Ravi “Jojo” Landge isso significava algo simples: “Preciso continuar fazendo o que já faço”, compartilhou durante o Encontro de Jovens Líderes 2016, organizado pelo Movimento Lausanne em Jakarta (Indonésia).
Ravi "Jojo". Foto: Jessica Grant
Ravi “Jojo”. Foto: Jessica Grant
Ravi está a frente do projeto “Love Delhi”, que atua em meio a juventude da capital indiana, a segunda cidade mais populosa do país. O hinduísmo é a religião de cerca de 80% dos moradores, seguida pelo islamismo. Os cristãos são menos de 1% e, para Ravi, muitos deles estão seguindo um modelo ocidental de religião que não impacta nem a milenar cultura indiana, nem a moderna juventude urbana.
Apesar de ser a quarta geração cristã em sua família, o cristianismo tornou-se a fé pessoal de Ravi quando jovem, quando ele processou o que significava e pode experimentar a alegria da salvação. “A Palavra de Deus explodiu em mim”, conta. Mas, mesmo sendo líder de louvor em sua igreja, ele estava cansado e com tédio da impessoalidade dentro da congregação. “Não deveria ser assim! Deus é um Deus engajado e alegre!”, pensava. Na sua perspectiva, Jesus atraía as pessoas, e a igreja deveria abandonar o modelo estrangeiro adotado e mostrar um cristianismo autenticamente indiano.
A percepção da necessidade de engajamento com sua própria cultura veio quando um dia, ao fazer evangelismo, encontrou dois homens que falaram que curtiram a ideia do que ele contava, mas pediram: “Cara, me fala o que está neste livro [a Bíblia]?”. “Eu não consegui explicar em hindi [língua de origem sânscrita oficial do país], e então percebi como as igrejas estavam formatadas para a cultura ocidental, usando só o inglês.” Hoje, em sua banda, Ravi canta apenas em hindi. Ele também faz questão de usar roupas indianas, especialmente a cor laranja, que significa devoção a Deus, renúncia do ser. “Precisamos aceitar quem somos, nossa cultura, nossa identidade, e o evangelho em meio a isso”, ele compartilha ao ressaltar sua visão de engajamento do cristianismo com a cultura.
Desde 2008 ele começou a atuar para tornar esta visão em realidade. Na universidade, colaborou com outros movimentos, especialmente de juventude, e depois o seu trabalho basicamente mudou do campus para os cafés. Com tentativa e erro, buscando sustentabilidade, o projeto foi tomando forma sempre com o objetivo de apresentar o cristianismo de maneira relevante ao seu contexto.
Um dos focos foi o “Love Campaign”, em que eles tinham por objetivo envolver as pessoas da cidade através do serviço para se motivarem a amar as pessoas de Délhi, de seu contexto, mesmo por ações simples, como não buzinar com raiva. A ideia era convidar as pessoas a se juntarem e a amarem. E com o tempo os frutos surgiam: pessoas antes viciadas em drogas se convertiam, suicidas eram atraídos pela música e encontravam vida.
Além de grandes eventos, como o também chamado “Love Delhi” de novembro de 2014, em que quase três mil pessoas participaram, hoje eles fazem encontros mensais em espaços não convencionais. Uma vez por mês eles se reúnem em uma cafeteria Starbucks, também envolvendo as pessoas que já estavam lá. Há narrativa de histórias, comédias, esquetes relevantes, música e outras formas de arte. “Basicamente contamos como o evangelho muda a nossa vida”, explica Ravi.
Já no centro de Délhi, também uma vez ao mês, organizam sua igreja em um estúdio. Para os “cultos”, convidam as pessoas que estão nas ruas com uma chamada: “Vamos pensar juntos como podemos amar Délhi? O que podemos fazer juntos para mudar a nossa cidade?”. E com o olhar focado nas injustiças, como uma discussão, atraem o mais variado público, fazem conexão com cada um deles. Depois começam a construir relacionamentos profundos para impactar não só a cidade, mas a vida daquelas pessoas. Eles dão seguimento, acompanham as pessoas e convidam para os outros eventos, também abrindo oportunidades de discipulado.
Entre os cristãos, alcançam as pessoas que “não curtem” a igreja, lidando com dificuldades e criando um espaço que podem compartilhar coisas que nunca compartilhariam no templo tradicional. Entre os não cristãos, Ravi aponta para uma oportunidade única: os jovens urbanos estão mais descolados de sua religião familiar, abertos para ouvir.
Ravi também já realizou oficinas em 10 cidades diferentes levando a ideia e a iniciativa está sob a alçada da missão Cooperative Outreach of India, a qual é diretor de missões jovens, e pode ser acompanhada pelo Facebook neste link. Hoje, casado e pai de dois filhos, Ravi vai continuar fazendo o que faz: impactando e amando de maneira relevante a Índia urbana.

• Jessica Grant é jornalista e tradutora (inglês – português), interessada em audiovisual e literatura. Está se preparando para entrar na ABUB (Aliança Bíblica Universitária do Brasil) como Assessora de Comunicação e Arte, atuando, entre outras coisas, com a peça de teatro “Experimento Marcos”.

sábado, 30 de julho de 2016

Aplicativo simplifica quais países exigem visto para brasileiros

Foto: divulgação
Foto: divulgação
Toda vez é aquela mesma história. Você quer ir para um país, mas não sabe se eles pedem visto, então começa por uma verdadeira jornada na internet em busca de informações, muitas vezes confusas. Esse problema parece que chegou ao fim.
Um site reúne de maneira super simples quais são os países que requerem visto para sua nacionalidade. 

 É o VisaMapper.

O site ainda informa qual o tipo de visto que certo país exige, se é um visto na chegada, apenas online, etc. Tanto você que quer cair no mundão quanto você que está planejando suas férias, ta aí uma dica de ouro!

domingo, 24 de julho de 2016

Suicídio indígena: entenda como povos e antropólogos da Amazônia avaliam o ato

Foto: Divulgação/Gcom-MT

MANAUS – O suicídio indígena vai além das estatísticas divulgadas pelos órgãos de Segurança Pública na Amazônia. A atitude é complexa e envolve questões sociais, culturais e cosmologias que vão além do conhecimento da sociedade. Segundo antropólogos, para alguns povos indígenas, a morte não encerra a existência humana. Entre as causas para o suicídio indígena estão paixões, encantamentos e rupturas culturais sob um contexto de perda de território e direitos.
“Temos debates para mostrar a complexidade e a dimensão profunda de todo o aspecto que envolve [o suicídio indígena] e que está situada em cosmologias indígenas pouco conhecidas, por isso a tendência é projetar o nosso drama do suicídio para estas sociedades”, explica o antropólogo Gilton Mendes, coordenador da mesa-redonda sobre “Suicídio entre os Povos Indígenas” promovida pelo Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (Neai) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), nesta quarta-feira (29).
Mesa-redonda promovida pelo Neai. Foto: Izabel Santos/Portal Amazônia

Na opinião de Mendes, trata-se de um fenômeno complexo que preocupa, de modo geral, pelas concepções da sociedade não-indígena. “Mas outras sociedades também têm esse fenômeno de forma bastante diversa”, acrescenta.
Ataque de espíritos e paixões
A tese de doutorado da antropóloga da Universidade Federal do Pará (UFPA), Beatriz Matos, abordou o suicídio por ataques de espíritos entre os matsés. O povo vive na terra indígena do Vale do Javari, a maior do Brasil e com maior concentração de povos isolados.
Entre as razões apontadas pela pesquisa, está a impossibilidade de realização de um importante ritual de iniciação masculina. “Nesse ritual, que começava na aldeia, os espíritos levavam os jovens para a floresta onde ele era completado. Com a chegada dos missionários, a prática foi interrompida”, conta. Homens e mulheres participavam do ritual, mas o protagonismo era masculino. De acordo com relatos dos matsés, a tradição foi interrompida na década de 1970. “Com isso, os espíritos começaram a atacar os jovens e a provocar o que nossa sociedade chama de suicídio”, explica.
Os jovens ‘atacados’ relatam que tinham a visão do espírito de um parente já falecido, que aparecia quando eles estavam sozinhos e os levava para a floresta. “Quem viu, relata que no momento desses ataques os jovens corriam mata a dentro”. Alguns eram resgatados, mas outros não tinham o mesmo destino.
Na avaliação da antropóloga do Museu Nacional, Luisa Belaúnde, os suicídios também são homicídios provocados por espíritos, mas também um problema de saúde pública. Luisa cita o aspecto das paixões ou encantamentos que levam os indígenas à atitude. “As causas podem ser o alcoolismo, a presença de missionários e a desintegração familiar, mas isso tudo acontece em um pano de fundo de perda de território e direitos”, diz.
“É realmente um problema de saúde pública, mas talvez a aproximação a partir da saúde pública, que procura as causas, e que tenta formular políticas de prevenção, não esteja suficientemente aberta para compreender as razões histórias e políticas do sofrimento ao qual muitos povos indígenas estão atualmente submetidos”, opina.
Como exemplo sobre os encantamentos, a antropóloga cita os kaxinauá, que habitam a fronteira entre o Peru e o Brasil, no Acre. Segundo relatos, os caçadores desse povo estão sujeitos a um encantamento pelo olfato. “Quando eles estão na floresta eles sentem um cheiro semelhante ao de um animal, então eles se encantam, ficam apaixonados por esse cheiro. Voltam para a aldeia e ficam com o olhar perdido, deixam de reconhecer os seus parentes e passam a comer terra. Por fim, acabam se matando”.
Luisa também cita as meninas tikuna, que vivem na fronteira entre Peru, Equador e Colômbia. E compara a situação a dos matsés no Javari, onde a prática tem a ver com a quebra da tradição do ritual da menina nova, que marca a transição da infância para a vida adulta. “Nesse ritual a menina fica sentada por várias horas, tem os cabelos arrancados e fica ouvindo os conselhos dos mais velhos, mas ele não é só isso. Durante o ritual ela aprende a ter paciência, a resistir a dor e a não se deixar enganar pelos espíritos, que também participam do ritual e tentam enganá-la”, explica a antropóloga. Sem o ritual, a menina tikuna não aprende a se defender e se deixa enganar pelas pessoas erradas.
“Ele [o suicídio] é mais comum entre as meninas que frequentam a escola, conhecem rapazes por quem não deveriam se apaixonar e acabam se desiludindo”, explica. “Por isso é um homicídio espiritual. É como se os espíritos ficassem com raiva e levassem a essa atitude”, explica. A maioria dos suicídios acontecem por enforcamento. As meninas que sobrevivem, alegam que não estavam atentando contra a própria vida, dizem que foram induzidas, que viram parentes já mortos e que pediam que elas cometessem o ato.
Os suruwaha e o timbó
Os suruwaha vivem na calha do rio Juruá, no Amazonas. São um grupo único com cerca de 150 pessoas praticamente isoladas. O único contato que têm é com funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). No entanto, a maioria das mortes entre este povo decorre de suicídio por envenenamento com timbó, uma raiz usada para envenenar a água e matar peixes. “Existem mortes por doenças e incidentes com animais, mas são poucas”, explica o antropólogo Miguel Aparicio, autor da obra ‘Presas del Veneno. Cosmopolítica y Transformaciones Suruwaha’.
O antropólogo descreve os indígenas como um povo coeso e de boa memória. “Se você perguntar, eles são capazes de descrever o tataravô da terceira geração e com quem era casado e tudo mais”, revela. Entre estas memórias, está o primeiro suicídio, ocorrido em 1930.
As razões para a atitude não são claras. Os primeiros contatos com os suruwaha datam de 1920. “Eles sofreram com as expedições de seringalistas e conseguiram voltar ao isolamento em 1930. Somente em 1980 eles voltaram a ser contatados, e por causa da pressão madereira na região”, explica Aparicio. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil

Pesquisa inédita do IBGE detalhou características de povos indígenas brasileiros.

BBC Brasil
Há mais indígenas em São Paulo do que no Pará ou no Maranhão. O número de indígenas que moram em áreas urbanas brasileiras está diminuindo, mas crescendo em aldeias e no campo. O percentual de índios que falam uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas do que entre os que vivem em cidades.
As conclusões integram o mais detalhado estudo já feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os povos indígenas brasileiros, baseado no Censo de 2010 e lançado nesta semana.
Segundo o instituto, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta. Em comparação, em todo o continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones, segundo um estudo publicado em 2011 pelo Instituto de História Europeia.
No "Caderno Temático: Populações Indígenas", o IBGE faz um mapeamento inédito sobre a localização desses povos e sua movimentação ao longo das últimas décadas.
O estudo diz que, entre 2000 e 2010, os percentuais de indígenas brasileiros que vivem nas regiões Sul e Sudeste caíram, enquanto cresceram nas outras regiões. A região Norte abriga a maior parcela de índios brasileiros (37,4%), seguida pelo Nordeste (25,5%), Centro-Oeste (16%), Sudeste (12%) e Sul (9,2%).
Entre 2000 e 2010, também caiu o percentual de indígenas que moram em áreas urbanas, movimento contrário ao do restante da população nacional.
'Retomadas'
Segundo a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira, autora do texto que acompanha o estudo, uma das hipóteses para a redução no percentual de indígenas no Sul, Sudeste e em cidades são os movimentos de retorno a terras tradicionais.

Nas últimas décadas, intensificaram-se no país as chamadas "retomadas", quando indígenas retornam às regiões de origem e reivindicam a demarcação desses territórios. Em alguns pontos, como no Nordeste e em Mato Grosso do Sul, muitos ainda aguardam a regularização das áreas, em processos conflituosos e contestados judicialmente.
Em outros casos, indígenas podem ter retornado a terras que tiveram sua demarcação concluída. Hoje 57,7% dos índios brasileiros vivem em terras indígenas.
Outra possibilidade, segundo Pereira, é que no Sul, Sudeste e nas cidades muitas pessoas que se declaravam como indígenas tenham deixado de fazê-lo.
Ainda que sua população indígena esteja em declínio, a cidade de São Paulo ocupa o quarto lugar na lista de municípios brasileiros com mais índios, com 13 mil. Parte do grupo vive em aldeias dos povos Guarani Mbya nos arredores da cidade, em territórios ainda em processo de demarcação.
O ranking é encabeçado por São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas. O município abriga 29 mil indígenas e foi o primeiro do país a aprovar como línguas oficiais, além do português, três idiomas nativos (tukano, baniwa e nheengatu).
O estudo mostra como morar numa terra indígena influencia os indicadores socioculturais dos povos. Entre os índios que residem nessas áreas, 57,3% falam ao menos uma língua nativa, índice que cai para 9,7% entre indígenas que moram em cidades.
Mesmo no Sul, região de intensa colonização e ocupação territorial, 67,5% dos índios que vivem em terras indígenas falam uma língua nativa, número só inferior ao da região Centro-Oeste (72,4%).
A taxa de fecundidade entre mulheres que moram em terras indígenas também é significativamente maior que entre as que vivem em cidades. Em terras indígenas, há 74 crianças de 0 a 4 anos para cada 100 mulheres, enquanto nas cidades há apenas 20.
Para Nilza Pereira, do IBGE, ao mostrar detalhes sobre indígenas de diferentes pontos do país, o estudo será útil para o planejamento de políticas públicas diferenciadas para esses povos. Os dados também foram usados na elaboração de vários mapas, que compõem o "Atlas Nacional do Brasil Milton Santos".
Cultura indígena
O ativista indígena Denilson Baniwa, cofundador da Rádio Yandê, diz à BBC Brasil que o estudo ajuda a combater a falta de conhecimento sobre os povos indígenas no Brasil.

Baniwa, que mora no Rio de Janeiro e é publicitário, diz se deparar frequentemente com pessoas que acham que "o indígena ainda é aquele de 1500". Segundo o ativista, muitos questionam por que ele se considera indígena mesmo falando português ou usando o computador em seu trabalho.
"Respondo que cultura não é algo estático, que ela vai se adaptando com o tempo. E pergunto a eles por que não vestem as mesmas roupas usadas pelos portugueses em 1500, por que não falam aquele mesmo português e por que não usam computadores de 1995."
Para Baniwa, há ainda grande desconhecimento sobre as enormes diferenças culturais entre os povos indígenas brasileiros. Ele exemplifica citando dois povos de sua terra natal (a região do rio Negro, no Amazonas), os baniwa e os tukano.
"Comparar um baniwa a um tukano é como comparar um francês a um japonês. São povos com línguas, hábitos e características físicas bastantes distintas, e isso porque vivem bem próximos. Imagine a diferença entre um baniwa e um kaingang, um povo lá do Rio Grande do Sul?"
Ao mesmo tempo em que combate o preconceito contra indígenas que, como ele, moram em cidades, Baniwa afirma que cada povo deve ser livre para decidir como quer se relacionar com o resto da sociedade.
"Se um povo entender que o contato com o mundo moderno não será benéfico e que prefere ficar mais isolado em sua terra, vamos lutar para que essa decisão seja respeitada."

terça-feira, 12 de julho de 2016

No Dia Mundial da População, veja o avanço populacional através das fotos da National Geographic

Dormitório escolar  na South China Normal University, em Guangzhou, China. Wing Ka H.

A partir desta manhã, há 7,3 bilhão de pessoas que vivem na Terra, de acordo com o Census Bureau's World Population Clock. E o número sobe a cada segundo porque os bebês continuam a nascer.  
Isso é uma estatística para refletirmos hoje, 11 de julho, que foi designado Dia Mundial da População ( #WorldPopulationDay ) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A ideia é se concentrar em "questões de população", que tocam em muitas preocupações prementes no mundo de hoje - de mortalidade materna até as alterações climáticas. O tema deste ano é "investir em meninas adolescentes" - certificando-se de que elas possam permanecer na escola e obter as informações que precisam sobre saúde, direitos humanos e direitos reprodutivos. 
 É também um dia para pensar sobre os espaços vitais da população sempre crescente do mundo. O Concurso Fotógrafo de Viagens 2016 da National Geographic dá-nos uma ideia de o quanto lotado um mundo de 7 bilhões pode  se sentir: As pessoas literalmente vivem umas sobre as outras em dormitórios de alto crescimento da China. No entanto, ainda há grande solidão em alguns dos pontos remotos da Terra, como uma aldeia de montanha na Índia. 
 Aqui estão algumas imagens que mostram o nosso planeta populoso.
 Nota: As legendas foram fornecidas pelos fotógrafos e foram editadas para ampliar o entendimento e clareza.

Uma mulher tribal Kinnaura em uma aldeia em Himachal Pradesh, um estado no 
planalto do Himalaia da Índia, carregando lenha. Mattia Passarini 

 Um mercado em Bangkok, Tailândia. Prasad Ambati 

 Os visitantes das margens do rio Ganges, na Índia, considerado sagrado 
pelos hindus. Massimo Rumi 

Hong Kong é o lar de mais de 7 milhões de habitantes. Andy Yeung 

 A cidade de Ho Chi Minh como é vista a partir do 12º andar de um albergue. A cidade vietnamita era anteriormente conhecida como Saigon. Rei Fung Wong 

 Dhaka, Bangladesh, é dito ser a capital mundial do riquixá, com centenas de 
milhares de pessoas em circulação. Zhen Li

Traduzido por Equattoria

sábado, 9 de julho de 2016

UM APLICATIVO BRASILEIRO QUE AJUDA A ORGANIZAR VIAGENS


Um aplicativo que foi criado por uma empresa de Santa Catarina para ajudar as pessoas a organizarem roteiros de viagem - é o Nativoo - disponível para Android e iOS. Confira a entrevista. Fonte: SBT Santa Catarina.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...